quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

No fundo, você sabe o que precisa fazer. Você só não faz.

 


Luiz, 23 anos, chega em casa depois do trabalho e vê seu irmão mais novo, Carlos, 15 anos, jogado no sofá, jogando vídeo game. E isso tem se repetido há vários dias. Vendo que seu irmão não sai dessa zona de conforto, não toma nenhuma iniciativa na busca de conquistar alguma coisa na vida, Luiz tenta, mais uma vez, conversar com Carlos.

— Cara, vou te falar uma coisa que talvez tu não vai gostar de ouvir.

— Eu sei… lá vem sermão.

— Não é sermão. É só a verdade nua e crua: no fundo, tu sabe exatamente o que precisa fazer. Só não faz. Fica aí o tempo todo nesse vídeo game.

— Eu sei, eu sei… mas saber não é a mesma coisa que fazer.

— Mas se tu sabe que precisa estudar, treinar, ajudar nas coisas da casa, levantar da cama mais cedo, dar um tempo nesses jogos… por que tu enrola?

— Porque é mais fácil ficar aqui, imaginando que um dia eu vou acordar diferente, que as coisas acontecerão como eu desejo.

— Só que esse “um dia” nunca chega sozinho, né?

— Cansa admitir isso, sabia?

— Cansa mesmo. Porque no fundo tu sabe que ninguém vai viver tua vida por ti. O pai e a mãe não vão estar aqui pra sempre, te dando as coisas e te protegendo.

— Então por que parece tão difícil dar o primeiro passo?

— Porque fazer o que precisa ser feito dói um pouquinho. E a gente foge do que dói.

— Fala a verdade, tu tá com medo de encarar a vida de adulto?

— Não é medo… é tipo… vergonha de tentar e não ser tudo isso. De decepcionar vocês e os outros.

— Vergonha de quem? Dos outros?

— Sei lá... De mim mesmo, talvez. De perceber que talvez eu não seja tão incrível quanto eu imagino ou que vocês imaginam que eu seja.

— Então para de ficar imaginando coisas e começa a construir teu futuro. Ninguém nasce incrível, a gente vira incrível no processo.

— Tu fala como se fosse simples.

— Não é simples. É possível. E isso já basta.

— Eu já pensei em começar, em fazer tudo diferente, mas o medo de fracassar é maior.

— Mas fracassar faz parte, cara. Bonito mesmo é insistir quando todo mundo já desistiu de ti. Provar que eles estão errados.

— Talvez seja melhor ficar parado, né? Porque aí ninguém te critica se algo der errado.

— Exato. Parado ninguém te julga… mas também ninguém te admira. Nem tu mesmo.

— Tá, mas e se eu seguir teus conselhos e der tudo errado?

— Aí tu aprende. E tenta de novo. E de novo. Até acertar. É pra isso que existem os erros, pra nos ensinar o caminho certo.

— Tu sempre fala como se eu fosse capaz de qualquer coisa. Isso é coisa de irmão mais velho.

— Se falo é porque eu já vi tu conseguir coisas que tu dizia que eram impossíveis.

— Mas eram coisas diferentes.

— Diferente nada. Tu só tava com mais vontade do que medo.

— E desde quando a vontade vence o medo?

— Desde quando tu decide que teu sonho vale mais que tua desculpa.

— Então, como devo começar?

— Começa pequeno, tipo arrumar teu quarto, terminar aquela tarefa que o papai te deu e tu tá enrolando faz tempo, levar o lixo pra rua sem a mamãe precisar brigar contigo, esquecer um pouco o celular e o game. Começa sendo útil aqui dentro de casa e tu vai ver que as coisas vão acontecendo automaticamente.

— Mas eu ainda sinto que não tô pronto.

— Ninguém nunca tá totalmente pronto. A gente fica pronto fazendo, participando.

— E se eu não tiver o mesmo talento que tu?

— Aí tu compensa com disciplina. Talento abre portas, entretanto, é a disciplina que constrói casas.

— Tu fala como se a vida fosse uma batalha.

— E é. Mas não contra o mundo. É contra a preguiça, contra a dúvida, contra essa voz que diz “depois”, contra o comodismo.

— Pois é, essa batalha talvez faça doer pra crescer.

— Dói mesmo. Mas ficar parado dói mais ainda, só que a dor é silenciosa. Ela dói por dentro da gente e vai nos consumindo.

— Tu acha que eu ainda tenho tempo?

— Acho não… tenho certeza. Mas tempo não é infinito. Ele anda, mesmo quando tu para. Quando tu senta nesse sofá pra “descansar”, o relógio não para. Ele vai tirando, minuto a minuto, o teu tempo de tentar, de conseguir, de viver. Então para de esperar motivação cair do céu.

— Tá bom… eu sei o que eu preciso fazer. Eu só tava fingindo que não sabia.

— Então vai lá e faz. E se cair, levanta. Mas não mente mais pra ti mesmo. O teu futuro vai chegar, com certeza, mas se tu não estiver preparado, ele vai te derrubar e o tombo, às vezes, dói muito mais que a dor de tentar agora.

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No fundo, todo jovem sabe qual é o passo que precisa dar. Às vezes é simples, às vezes é assustador, mas ele está ali, claro como o sol da manhã. O problema não é falta de direção, é excesso de desculpa.

A verdade é que crescer exige coragem. Não aquela coragem barulhenta de filme, mas a coragem silenciosa de agir mesmo com medo, de estudar quando ninguém está vendo, de continuar quando a vontade é desistir.

E a moral é simples e direta: se você já sabe o que precisa fazer, então faça. Não espere aplausos, não espere perfeição. Comece. Porque a vida recompensa quem age — e ignora quem apenas sabe.

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