quarta-feira, 10 de junho de 2026

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A praça estava mergulhada naquela tranquilidade que só o início da noite consegue trazer. O céu ainda guardava algumas pinceladas alaranjadas do pôr do sol, enquanto os primeiros postes começavam a iluminar os caminhos de pedra. O cheiro de pipoca vindo de um carrinho próximo se misturava ao perfume das árvores antigas que cercavam o lugar. Algumas pessoas caminhavam sem pressa, outras conversavam nos bancos espalhados pela praça. Em um dos cantos mais silenciosos, sentado ao lado do avô Augusto, Lucas observava o movimento da cidade desacelerar. Havia algo em sua expressão que denunciava um incômodo guardado há dias.

— Vô, o senhor já conheceu alguém que parecia ter uma missão na vida: irritar os outros?

— Conheci vários. Alguns até eram especialistas no assunto. Sabiam ser inconvenientes como ninguém.

— Estou falando sério, vô.

— Eu também, Luquinhas.

Lucas soltou uma risada curta.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco!

 

Segunda-feira à tarde, aquela turminha do 5º ano, com idades entre 10 e 11 anos, estava meio inquieta e um pouco barulhenta, todos conversavam ao mesmo tempo, tentando contar como foi o seu fim de semana. Era a última aula daquela tarde. Quando o professor Carlos entrou na sala, carregando um objeto estranho, todos silenciaram, em respeito ao professor e, também, pela curiosidade, ao ver o senhor Carlos carregando uma gaiola de passarinho. Não tinha passarinho dentro, mas só aquilo já chamou a atenção da turma inteira. As crianças ficaram olhando, curiosas, tentando adivinhar o que vinha pela frente.

— Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma frase muito interessante — disse ele, colocando a gaiola sobre a mesa. — “Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco.”

— Mas professor… passarinho nasceu para voar! — respondeu Lucas, franzindo a testa.

— Exatamente. E é aí que essa frase fica importante — falou o professor, sorrindo. — Imagina um passarinho que passou a vida toda preso. Ele nunca viu o céu de perto. Se quer sentiu o vento nas asas. Nunca voou. Só via a grade da gaiola à sua frente e até a comida era dada por um ser humano.


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