Segunda-feira à tarde, aquela turminha do 5º ano, com idades
entre 10 e 11 anos, estava meio inquieta e um pouco barulhenta, todos
conversavam ao mesmo tempo, tentando contar como foi o seu fim de semana. Era a
última aula daquela tarde. Quando o professor Carlos entrou na sala, carregando
um objeto estranho, todos silenciaram, em respeito ao professor e, também, pela
curiosidade, ao ver o senhor Carlos carregando uma gaiola de passarinho. Não
tinha passarinho dentro, mas só aquilo já chamou a atenção da turma inteira. As
crianças ficaram olhando, curiosas, tentando adivinhar o que vinha pela frente.
— Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma frase muito
interessante — disse ele, colocando a gaiola sobre a mesa. — “Pássaros criados
em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco.”
— Mas professor… passarinho nasceu para voar! — respondeu
Lucas, franzindo a testa.
— Exatamente. E é aí que essa frase fica importante — falou o professor, sorrindo. — Imagina um passarinho que passou a vida toda preso. Ele nunca viu o céu de perto. Se quer sentiu o vento nas asas. Nunca voou. Só via a grade da gaiola à sua frente e até a comida era dada por um ser humano.

