Era fim de tarde. O calor já tinha diminuído, e a rua começava a ganhar aquele movimento tranquilo de quem volta para casa depois de um dia corrido. Sentado na calçada, perto do portão, estava um senhor aparentando uns 70 anos, daqueles que parecem ter uma história guardada para cada assunto. Ao lado dele, a neta, de 11 anos, mexia no celular sem muita vontade, reclamando que não tinha nada para fazer.
— Vô, o senhor nunca teve vontade de conhecer o mundo
inteiro?
— Claro que tive. E ainda tenho. Só não sei se o mundo
inteiro cabe numa passagem de avião.
— Como assim? O mundo é enorme!
— Justamente. E às vezes a gente pensa que precisa ir para
longe para conhecer alguma coisa interessante.
— Mas conhecer outros lugares não é importante?

