Numa tarde abafada de sábado,
uma pequena biblioteca comunitária estava cheia de cadeiras de plástico
espalhadas em círculo. No canto, um ventilador velho fazia mais barulho do que
vento. Alguns jovens mexiam no celular, outros conversavam baixinho, até que o
palestrante subiu num pequeno palco improvisado feito de pallets de madeira.
— Boa tarde, pessoal. Antes da
gente começar, quero fazer uma pergunta simples: quem aqui acha que uma pessoa
precisa saber tudo sobre aquilo que faz?
— Ah… acho que ninguém sabe
tudo, né? — respondeu Lucas, sentado lá no fundo, com um boné virado para trás.
— Ainda bem que você falou isso. Porque o problema não é não saber tudo. O problema é achar que não precisa mais aprender. Tem gente que aprende uma coisinha, ganha um trocado com aquilo e pronto… estaciona igual carro abandonado na rua.

