A tarde começava esconder o Sol sobre a antiga feira medieval. O céu, antes azul, ganhava tons de cobre, e uma névoa fina descia lentamente entre as barracas de madeira. Os últimos visitantes ainda circulavam pelo lugar, atraídos pelo cheiro dos alimentos, pelas canções dos músicos e pelas demonstrações de espadas feitas por homens vestidos como guerreiros de outros séculos.
Mariana, de dezessete
anos, caminhava sem muita pressa, embora sua cabeça estivesse longe dali. Desde
cedo, vinha remoendo uma discussão que tivera com uma colega. O assunto não
tinha muita importância, mas o que mais a incomodava era a sensação de ter sido
julgada sem sequer conseguir terminar de falar. E, para piorar, aquilo não era
novidade. Nos últimos tempos, parecia que qualquer opinião sua virava motivo
para discussão.
Ao passar por uma viela entre duas barracas, percebeu algo estranho. Havia um caminho estreito e no fim dele, quase escondida pela névoa, erguia-se uma tenda de tecido escuro, marcada por símbolos prateados. Nenhuma placa anunciava o que havia ali. Apenas uma pequena chama azul brilhava na entrada, sem se apagar apesar do vento.

