Era uma noite daquelas em que muitos países comemoram
o Halloween. O vento passava por entre as árvores, fazendo as folhas dançarem
pelo chão, e as ruas do bairro estavam tomadas por crianças fantasiadas. Tinha
de tudo um pouco: bruxas, caveiras, vampiros, fantasmas e até uns monstros que,
convenhamos, mais pareciam ter saído de uma loja de brinquedos. Mas era
justamente essa a graça. João, de capa preta quase arrastando no chão, Mariana,
com o rosto pintado de caveira, Lucas, com um chapéu de bruxo meio torto, e
Clara, carregando uma vassoura improvisada, estavam se divertindo pra valer.
De casa em casa, lá iam os quatro, sacudindo suas
sacolinhas e gritando: "Doces ou travessuras!". Riam, faziam caretas,
contavam histórias de fantasmas e, de vez em quando, davam uns sustos nos
moradores mais distraídos. Até que, ao passarem pela praça, João percebeu um
senhor sentado sozinho em um banco. Era um homem de idade, aparentava ter uns
80 anos, usava um chapéu de palha meio gasto, roupas com alguns remendos feitos
de forma grotesca e fumava um cachimbo. O curioso é que ele não parecia muito
interessado na festa. Apenas observava as crianças, com um sorriso de canto de
boca, como se estivesse esperando por elas.
— Oi! A gente assustou o senhor? — perguntou João, mostrando seus dentes de plástico e fazendo uma careta.

