A oficina já
estava aberta fazia tempo. O cheiro de graxa misturado ao café recém-passado
parecia fazer parte das paredes. Um rádio antigo tocava uma moda de viola
baixinho, enquanto chaves e martelos produziam uma música própria.
O jovem aprendiz estava debruçado sobre um motor desmontado. Fazia força para encaixar
uma peça, mas, depois de alguns minutos, percebeu que havia montado tudo na
posição errada.
— Ah, não...
de novo!
Ele tirou a
peça com cuidado, respirou fundo e passou a mão no rosto, deixando uma faixa
escura de graxa na testa.
— Acho que
eu nasci para fazer besteira.
O mecânico,
que organizava algumas ferramentas do outro lado da oficina, ouviu o desabafo e
caminhou devagar até o rapaz.
— Já terminou de reclamar ou ainda falta mais um pouquinho?

