sábado, 28 de fevereiro de 2026

Use a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.

 


— Já pensou em como a vida faz um barulhão?

— Que tipo de barulho?

— Ah, sei lá...as pessoas, os sonhos, cada um com sua mania e tal. É tipo uma música gigante rolando sem parar.

— Que engraçado você falar isso, sabia? Porque, às vezes, fico tão prrocupado em ser o cara que esqueço de viver.

— Acontece direto! A gente pira querendo ser o tal melhor e nem vê que cada um tem seu jeito de ser, entende?

— Tipo quando geral quer cantar igual, mas cada voz é única?

— Exato! Imagina uma floresta lotada de passarinhos... cada um com seu canto esquisito, um mais alto, outro mais baixo... mas todos mandando ver.

— É verdade... ia ser muito esquisito se só um ou nenhum passarinho cantasse, né?

— Não só esquisito. Ia ser um silêncio sinistro, um vazio. Uma floresta sem vida.

— Então, você acha que a vida é tipo isso também?

— Não acho, tenho certeza. Cada um tem sua canção, mesmo que ainda não tenha se ligado nisso.

— É que, às vezes, a gente ouve tanto os outros que acha que nossa voz é mixuruca.

— Aí que tá o erro. Não existe voz inútil quando é de verdade.

— Mas e quando nossa canção parece muito nada a ver com a dos outros?

— Aí que ela brilha mais! O legal não é ser todo mundo igual, mas cada um ser do seu jeito.

— Faz sentido... tipo uma banda. Se todo mundo tocar a mesma coisa, não rola um som completo.

— Isso! A música só fica boa porque cada um bota seu toque, mesmo que pareça simples.

— Mas, falando sério, às vezes me sinto meio nada a ver, tipo uma nota bem baixinha na música do mundo.

— E quem disse que nota baixa não faz falta? Já ouviu música sem as partes calmas? Fica sem graça. Pode ser um simples sininho na mão de um músico, na hora certa ele irá dar o charme que a música precisa.

— Nunca pensei nisso...

— A real é que cada um tem seus talentos, paradas que ninguém mais faz igual.

— Mesmo que sejam coisas bobas?

— Principalmente as bobas. Juntas, elas fazem um baita estrago.

— Então, não é sobre ser melhor que ninguém?

— Nunca foi. É sobre ser você, sem copiar o canto de outro passarinho. Quem vive imitando os outros, ficará limitado ao caminho que ele escolher.

— Caraca... isso pegou forte, viu? Vivo me comparando com os outros.

— Se comparar é tipo esquecer sua música e tentar cantar a dos outros. Pode até fazer sucesso, entretanto, é o original que sempre será lembrado. No fim, ninguém te ouve de verdade.

— E quando a gente se fecha por medo?

— Aí acontece o pior: sua vida fica sem som por dentro.

— Sem som... tipo quando a gente esconde o que sabe, com medo de errar?

— Exato. E errar faz parte da música e da vida. Nenhum passarinho nasce afinado, aprende cantando.

— Então, é melhor cantar meio zoado do que não cantar nada?

— Mil vezes melhor. O silêncio pesa muito mais que qualquer erro. Você precisa ouvir sua própria voz, só assim poderá corrigir as possíveis falhas. 

— Que louco... sempre achei que tinha que ser perfeito antes de mostrar o que sei fazer.

— Ser perfeito é uma cilada, te impede de viver.

— E a mistura? Você acha que é importante mesmo?

— Demais! Ouvindo outras histórias, outros jeitos, a gente acha notas diferentes dentro de nós. Aprendemos a compor nossas próprias canções. 

— Tipo aprender com os outros passarinhos da vida?

— Isso! Cada pessoa que cruza nosso caminho ensina uma música, mesmo sem querer.

— Então, no fundo, ninguém tá sozinho nessa orquestra?

— Nunca estivemos. A gente só se sente sozinho quando se fecha demais ou quando achamos que já sabemos tudo e que não precisamos mais participar dos ensaios.

— E se alguém acha que não tem talento nenhum?

— Diria que essa pessoa ainda não ouviu sua voz com a devida atenção.

— Que forte isso... às vezes, a gente ignora o que tem de bom por ser muito simples.

— Mas o simples, quando é real, vira algo poderoso.

— Então, o segredo é usar o que a gente tem, mesmo que pareça pouco?

— Exato! O pouco de cada um vira algo gigante. Nenhum cantor, por exemplo, faz sucesso sozinho, ele precisa dos músicos, de um compositor, de um produtor, de um empresário... Ele tem de se cercar de uma equipe para apoiá-lo. 

— E ser diferente não é ruim?

— Pelo contrário! Dá cor à vida.

— Sabe... tô começando a entender que não preciso ser o melhor em nada.

— Não precisa mesmo. Só ser você de verdade.

— E cantar minha música, mesmo que ninguém bata palma?

— Principalmente quando ninguém bater. Aí é sua essência falando, não o que os outros querem.

— Dá um medinho... mas também dá uma paz.

— Essa é a paz: parar de imitar e viver de verdade. Não se limitar ao caminho dos outros

— Então, no fim das contas, a vida é tipo uma grande orquestra, né?

— É sim. E cada um de nós é um instrumento que faz falta na harmonia dessa orquestra .

— Que legal isso... me faz sentir que tenho meu lugar.

— E tem. Sempre teve. Desde o começo.

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Moral da história? Não existe canto sem graça quando é de coração, e não existe vida boa quando a gente se esconde.

O mais legal da vida não é ser o melhor, mas ser sincero, botando para fora o que já vive dentro de nós, mesmo que pareça pouco.

No fim, quando cada um decide cantar sua música sem medo, a vida vira uma música inesquecível.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

No fundo, você sabe o que precisa fazer. Você só não faz.

 


Luiz, 23 anos, chega em casa depois do trabalho e vê seu irmão mais novo, Carlos, 15 anos, jogado no sofá, jogando vídeo game. E isso tem se repetido há vários dias. Vendo que seu irmão não sai dessa zona de conforto, não toma nenhuma iniciativa na busca de conquistar alguma coisa na vida, Luiz tenta, mais uma vez, conversar com Carlos.

— Cara, vou te falar uma coisa que talvez tu não vai gostar de ouvir.

— Eu sei… lá vem sermão.

— Não é sermão. É só a verdade nua e crua: no fundo, tu sabe exatamente o que precisa fazer. Só não faz. Fica aí o tempo todo nesse vídeo game.

— Eu sei, eu sei… mas saber não é a mesma coisa que fazer.


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