quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Maturidade é ter coragem de assumir que, algumas vezes, o errado é você.

 
            Lucas tinha 16 anos e estava decidido: queria sair com os amigos naquela noite. Ele vinha tentando há dias convencer o pai, mas o “não” parecia ser a resposta final. Só que, naquela tarde, Lucas decidiu que ia ter uma conversa séria, de igual para igual. Era hora de mostrar que ele já não era mais uma criança. Pelo menos era isso que ele achava.

— Pai, preciso conversar com você — Lucas chamou, com aquele tom de quem já tinha tudo planejado na cabeça.

O pai, que estava ocupado na mesa do escritório, olhou para ele, meio desconfiado, e fez um gesto para que ele se sentasse no sofá da sala e sentou-se ao seu lado.

Diga, Lucas.

Eu sei que você acha que eu não tô pronto pra sair sozinho à noite, mas eu tô tentando te mostrar que já sou maduro o suficiente, que você pode confiar em mim — Lucas começou, com aquela segurança que a gente tem quando quer provar um ponto. — Sei que você se preocupa, mas eu sempre aviso onde estou, ando com uma turma tranquila, e prometo voltar no horário.

Se você tiver coragem de deixar de ser o que é hoje, corre o risco de se transformar naquilo que deseja ser amanhã.

 
            A sala estava cheia, e a atenção da turma oscilava entre o tédio e a expectativa. Era só mais uma palestra na escola, coisa que acontecia uma vez por mês para a turma do terceiro ano. Último ano na escola. 

             Mas o palestrante que subiu ao palco parecia diferente, era um jovem de uns 35 anos, vestindo camiseta, bermuda e chinelos de dedo,  e parecia que ele não estava lá para falar de política,  religião ou sobre notas. Ele abriu um sorriso meio misterioso, sentou-se no chão, na beira do palco e começou sem rodeios.

— Olá, pessoal. Meu nome é Carlos. Não vou falar meu sobrenome porque vocês não irão entender. Eu mesmo levei anos para entender o porquê de tantas consoantes e quase nenhuma vogal. Até hoje acho que não o pronuncio corretamente. Aliás, tenho certeza de que não.

A turma toda riu, exatamente como ele havia previsto. A intenção era descontrair, tirar a tensão do estranho, do desconhecido. Levantou-se e fez uma pergunta:

— Vocês sabem qual é o maior risco que a gente corre na vida?


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