
A
sala de aula estava agitada naquela manhã de quinta-feira. O sol entrava pelas
janelas entreabertas, trazendo um calor leve que misturava o cheiro de giz com
o perfume de alguém que exagerou na colônia. O professor Daniel, um cara de uns
40 anos com barba rala e óculos tortos, batia o apagador no quadro, tentando
chamar a atenção dos alunos. Ele tinha aquele jeito descontraído que fazia a
gente querer ouvir, mesmo quando o assunto parecia meio perdido.
—
Beleza, pessoal, hoje eu quero falar de uma coisa diferente — ele começou,
enquanto escrevia com giz no quadro em letras grandes: “Quase sempre é muito
cedo para ser tarde demais”. — O que vocês acham disso?
Um silêncio meio preguiçoso tomou conta da sala. A maioria ainda parecia que recém estava acordando, mas Luana, que sempre sentava na frente com seus cadernos coloridos, levantou a mão rápido, como se tivesse esperado a vida inteira por essa pergunta.
