segunda-feira, 3 de março de 2025

Quase sempre é muito cedo para ser tarde demais.

 
            A sala de aula estava agitada naquela manhã de quinta-feira. O sol entrava pelas janelas entreabertas, trazendo um calor leve que misturava o cheiro de giz com o perfume de alguém que exagerou na colônia. O professor Daniel, um cara de uns 40 anos com barba rala e óculos tortos, batia o apagador no quadro, tentando chamar a atenção dos alunos. Ele tinha aquele jeito descontraído que fazia a gente querer ouvir, mesmo quando o assunto parecia meio perdido.

— Beleza, pessoal, hoje eu quero falar de uma coisa diferente — ele começou, enquanto escrevia com giz no quadro em letras grandes: “Quase sempre é muito cedo para ser tarde demais”. — O que vocês acham disso?

Um silêncio meio preguiçoso tomou conta da sala. A maioria ainda parecia que recém estava acordando, mas Luana, que sempre sentava na frente com seus cadernos coloridos, levantou a mão rápido, como se tivesse esperado a vida inteira por essa pergunta.

domingo, 2 de março de 2025

O homem vive tentando alcançar as estrelas, mas esquece de olhar para as flores aos seus pés.

 
            — Sabe, às vezes acho que o mundo tá do avesso — disse Lucas, jogado no gramado do parque.

— Como assim? — perguntou Clara, deitando-se ao lado dele.

— Todo mundo quer ser grande, chegar longe, conquistar coisas absurdas... Mas parece que ninguém olha pro que já tem. Tipo, a gente vive tentando alcançar as estrelas, mas esquece das flores que estão bem aqui. — Lucas pegou uma pequena margarida ao lado e girou-a entre os dedos. 

— Acho que não entendi. Você tá falando de gratidão ou sobre a natureza?

— Não só isso. Tô falando de presença. De viver o agora. Tá vendo esse céu? Lindo, né? Mas enquanto a gente fica querendo tocá-lo, acaba pisando nas flores sem perceber.

— Isso me lembrou aquela história do cara que passou a vida toda trabalhando pra ser rico e, quando conseguiu, percebeu que não tinha aproveitado nada. 


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