Pedro
e Júlio, dois amigos de 15 anos que moravam na mesma rua, estavam sentados em
um banco, na beira do campinho, esperando os outros meninos para jogar bola
quando, do nada, Pedro quebra o silêncio que já durava uns 10 minutos.
—
Mano, já sacou como o silêncio às vezes é sinistro? Tipo quando o professor
entra e a galera trava geral, a galera vira estátua.
—
É verdade. Cinco segundos antes tava geral falando, rindo, zuando… aí o cara
entra e puf: silêncio total.
—
Bizarro, né? Mas, mesmo no silêncio, minha mente não para.
—
Pô, comigo também. Parece que o silêncio de fora vira um monte de ideia
gritando na cabeça.
—
Tipo ontem tentando dormir. Comecei a pensar na prova, no futuro, se fiz a
escolha certa… até no drible que vou te dar no jogo de hoje, antes de fazer o gol. Kkkkk
— Acho que tu tava era sonhando. Kkk Mas sério! É bizarro, as respostas pintam nessa hora.
—
É como se elas sempre estivessem ali, esperando a gente sossegar.
—
Mas a gente quase não para, né?
—
Relaxar? Difícil. Sempre tem algum som, vídeo, papo com a galera, discurso do professor, bronca da mãe… daí não dá pra encarar os pensamentos.
—
Acho que a galera pira nisso.
—
Medo do silêncio?
—
Sim. No silêncio… a gente ouve a consciência.
—
Irmão… parece papo de velho.
—m Mas real, meu avô dizia: Quem foge do silêncio não se ouve de verdade.
—
Seu avô era um pensador.
— Acho que só um cara vivido.
—
Mas, quando eu paro, sem celular, sem nada… às vezes surge umas paradas estranhas nos pensamentos.
—
Tipo?
—
Tipo ver que eu complicava algo simples. Uma vez enrolei pra resolver algo… aí
parei, fiquei na minha… e pensei: É só fazer isso. Pronto. Resolvido.
—
Rindo de como a solução parece óbvia depois.
—
Demais. Dá vontade de se zoar.
—
O silêncio é tipo aquele amigo na boa.
—
Qual?
— Aquele que não fala muito, mas quando fala, acerta.
—
Entendi. Sem pressão, sem crítica, só esperando a gente sacar as coisas. E a
gente foge dele como se fosse castigo.
—
Que nem quando a mãe mandava ficar quieto no quarto e pensar no que tinha feito.
—
Essa frase pesava.
—
Mas… talvez ela soubesse das coisas.
—
Olha ele! Virou filósofo.
—
Sem filosofia, só fato. Parando um pouco, tudo clareia.
—
Tipo andando sozinho e entendendo algo que te incomodava.
—
Exato. A mente respira.
—
Acho que a gente corre demais.
—
De tudo… até de nós.
—
No meio da barulheira, as respostas somem. Ficam esperando o silêncio, que quase sempre evitamos.
—
No fundo, o silêncio é a maior parada. Cheio de respostas… em voz baixa.
—
Temos que diminuir o som do mundo pra ouvir.
— As melhores respostas não gritam. Chegam de boa… quase sussurrando.
—
Ficar quieto não é perder tempo. É se encontrar.
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O
silêncio não é tão assustador como falam. Ele é um lugar onde a mente organiza
as ideias e as respostas "pintam" na calma. Quando o mundo aquieta, a gente ouve
o que estava o tempo todo dentro da gente.
A
galera foge do silêncio porque acha que tem que estar sempre na correria. Mas o silêncio é companheiro: não pede nada, não critica, só espera a gente ter coragem de
ouvir.
No
fim, quem curte o silêncio descobre que as respostas estavam guardadas o tempo
todo, esperando somente um momento de paz.

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