Pedro, de 17 anos, estava sentado no banco da praça ao lado
de seu pai, Carlos, um homem tranquilo e observador. Os dois haviam saído para
tomar um sorvete depois de uma tarde difícil na escola. Pedro parecia
incomodado e mexia distraidamente na colher, como quem tinha alguma coisa presa
na garganta.
— Pai, posso te perguntar uma coisa? Como a gente sabe quando
está andando com as pessoas erradas?
— Essa é uma pergunta daquelas que
parecem simples, mas dão um nó na cabeça. O que aconteceu?
— Hoje eu estava com uns colegas e quase falei uma coisa que
eu realmente penso sobre um assunto de que estavam falando. Só que parei.
Fiquei pensando que, se eu falasse, eles iam rir de mim ou começar a me zoar.
— E você ficou quieto para evitar isso?
— Fiquei. E o pior é que não foi a primeira vez. Às vezes, antes de falar qualquer coisa, eu penso umas dez vezes: “Será que vão achar estranho? Será que vão rir? Será que vão usar isso contra mim?”

