A praça estava mergulhada naquela tranquilidade que só o
início da noite consegue trazer. O céu ainda guardava algumas pinceladas
alaranjadas do pôr do sol, enquanto os primeiros postes começavam a iluminar os
caminhos de pedra. O cheiro de pipoca vindo de um carrinho próximo se misturava
ao perfume das árvores antigas que cercavam o lugar. Algumas pessoas caminhavam
sem pressa, outras conversavam nos bancos espalhados pela praça. Em um dos
cantos mais silenciosos, sentado ao lado do avô Augusto, Lucas observava o
movimento da cidade desacelerar. Havia algo em sua expressão que denunciava um
incômodo guardado há dias.
— Vô, o senhor já conheceu alguém que parecia ter uma missão
na vida: irritar os outros?
— Conheci vários. Alguns até eram especialistas no assunto.
Sabiam ser inconvenientes como ninguém.
— Estou falando sério, vô.
— Eu também, Luquinhas.
Lucas soltou uma risada curta.
