quarta-feira, 5 de março de 2025

Quem imita, se limita.

 
            Dois amigos, Lucas e Rafa, conversam enquanto tomam café na Cafeteria Doce Café, no centro da cidade. A conversa gira em torno de diversos assuntos, mas Lucas destacou um em especial.

— Cara, eu ando meio perdido. Sinto que tudo o que eu faço parece uma cópia barata do que já existe.

— Tudo bem que você nunca foi um cara cheio de ideias inovadoras na escola, mas sempre me ajudava com alguma sugestão quando eu estava perdido no meu trabalho de artes. Você é inteligente. Talvez só esteja direcionando essa inteligência para o lado errado.

— Sei lá... A gente cresce vendo tanta coisa legal, e quando chega a nossa vez, parece que tudo já foi feito. Aí eu acabo repetindo o que deu certo para os outros.

— Eu entendo. Mas já parou para pensar que quem imita, se limita?

segunda-feira, 3 de março de 2025

Quase sempre é muito cedo para ser tarde demais.

 
            A sala de aula estava agitada naquela manhã de quinta-feira. O sol entrava pelas janelas entreabertas, trazendo um calor leve que misturava o cheiro de giz com o perfume de alguém que exagerou na colônia. O professor Daniel, um cara de uns 40 anos com barba rala e óculos tortos, batia o apagador no quadro, tentando chamar a atenção dos alunos. Ele tinha aquele jeito descontraído que fazia a gente querer ouvir, mesmo quando o assunto parecia meio perdido.

— Beleza, pessoal, hoje eu quero falar de uma coisa diferente — ele começou, enquanto escrevia com giz no quadro em letras grandes: “Quase sempre é muito cedo para ser tarde demais”. — O que vocês acham disso?

Um silêncio meio preguiçoso tomou conta da sala. A maioria ainda parecia que recém estava acordando, mas Luana, que sempre sentava na frente com seus cadernos coloridos, levantou a mão rápido, como se tivesse esperado a vida inteira por essa pergunta.


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