
O
sol mal tinha rompido a neblina leve que cobria as montanhas quando Carlos,
Maria, Luiza e Beto atravessaram o portão de madeira escura do templo. O
silêncio ali não era vazio; era cheio de significados, como se o próprio tempo
tivesse aprendido a andar mais devagar entre aquelas paredes.
Eles
tinham viajado horas até aquele canto distante do mundo, empurrados por um
vazio que não sabiam bem como nomear. Todos queriam a mesma coisa, no fundo: um
pouco de direção, uma pausa, alguma luz que dissesse “vai por aqui”. E quem
melhor para isso do que o monge Raphael? Famoso por seus ensinamentos simples e
certeiros, ele já tinha ajudado muita gente a acordar para a vida.
—
Vocês chegaram cedo. Isso já é um bom sinal — disse o monge, abrindo um sorriso
calmo, enquanto os recebia com chá quente de ervas. — Mas me digam, o que
vieram buscar?
— A gente está meio... perdido, sabe? — começou Carlos, tentando ser direto. — A vida está cheia de barulho, cobrança, e parece que a gente esqueceu como viver de verdade.
