O restante da manhã transcorreu sem que Eiranthos pronunciasse mais
nenhuma palavra. Lyra caminhava ao seu lado, tentando entender se aquele
silêncio fazia parte de algum novo ensinamento ou se o Mago simplesmente havia
decidido encerrar a conversa.
A princípio, aquilo a incomodou. Havia atravessado a floresta
imaginando que encontraria respostas para todas as perguntas que carregava
desde a infância. Em vez disso, encontrara um homem que fazia perguntas e
passava longos minutos em absoluto silêncio.
Depois de algum tempo, já não sabia se deveria falar ou apenas continuar caminhando. Foi quando Eiranthos parou diante de um pequeno lago. A água era tão calma que refletia cada nuvem do céu com perfeição. Nenhuma folha tocava sua superfície. Nenhum inseto a perturbava. Parecia um espelho.
O Mago aproximou-se da margem. Sentou-se sobre uma pedra coberta de
musgo. Permaneceu imóvel. Lyra fez o mesmo. Os minutos passaram lentamente. O
único som vinha da água escorrendo entre algumas pedras ao fundo. Ela tentou
suportar o silêncio. Depois de um tempo, não resistiu.
— O senhor está esperando alguma coisa?
Eiranthos não respondeu. Continuou olhando para o lago. Lyra respirou
fundo. Esperou mais alguns minutos.
— Há alguém que vai chegar?
Novamente... Nenhuma resposta. Ela começou a tamborilar os dedos sobre
a perna. Olhou para o céu. Depois para as árvores. Suspirou. Aquele silêncio
parecia não ter fim. Então aconteceu. Sem que percebesse, sua respiração ficou
mais lenta. Os pensamentos diminuíram. A ansiedade foi cedendo espaço a uma
estranha tranquilidade.
Foi nesse instante que começou a notar coisas que antes lhe escapavam.
O reflexo das nuvens mudava conforme a brisa passava. Pequenos peixes nadavam
entre pedras cobertas de algas. Uma libélula pousou sobre um galho inclinado e
permaneceu completamente imóvel. Mais distante, uma folha desprendeu-se de uma
árvore e caiu girando lentamente até tocar a água. As pequenas ondas viajaram
pelo lago inteiro. Lyra acompanhou aquele movimento com os olhos. Sorriu sem
perceber.
— Bonito... — murmurou.
Eiranthos voltou-se para ela. Foi a primeira vez que falou desde que
haviam chegado.
— O quê?
Ela continuou olhando para a água.
— Tudo.
O Mago assentiu discretamente.
— Antes você também estava olhando para este lago.
Ela confirmou com a cabeça.
— Estava.
— E por que não viu isso antes?
Lyra pensou durante alguns instantes. A resposta surgiu sozinha.
— Porque minha cabeça fazia muito barulho.
Um sorriso quase imperceptível surgiu no rosto de Eiranthos.
— Exatamente.
Esse é um pequeno trecho do Capítulo 3 do livro EIRANTHOS - O GUARDIÃO DAS BRUMAS, que em breve estará nas livrarias. Se você quiser colaborar para que sejam impressos uma quantidade maior de livros, pode contribuir através da vaquinha criada especialmente para isso.
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