Era fim de tarde quando os amigos, Lara e Miguel, saíram do trabalho e sentaram no banco da praça. O céu estava ficando alaranjado, mas Lara parecia distante. Fazia alguns dias que ela vinha evitando companhias, recusando convites e dizendo que estava “estranha”. Miguel percebeu que algo estava errado e decidiu perguntar com calma, sem pressão.
— Você anda quieta faz tempo. Aconteceu alguma coisa?
— Eu nem sei explicar direito. Parece que meu coração dispara
do nada. Fico com falta de ar, tremendo, achando que vou desmaiar.
— Isso acontece em momentos específicos?
— Às vezes no ônibus, no trabalho, no mercado. Teve um dia em
que eu estava fazendo compras e começou de repente. Achei que estava tendo um
problema grave.
— Você contou isso para alguém da sua família?
— Contei para minha mãe. Ela ficou preocupada e marcou
consulta. O médico falou em síndrome do pânico, mas eu ainda tenho medo.
— Eu entendo. Quando a gente sente algo tão forte, parece
impossível acreditar que pode ser pânico ou ansiedade.
— O pior é que eu fico pensando: “E se acontecer de novo?” Aí
começo a evitar sair.
— Esse medo de ter uma crise pode acabar alimentando o
problema. É como um círculo. É preciso enfrentar o problema.
— Exatamente! Eu já deixei de ir ao shopping e até de visitar
minha prima porque fiquei com medo de passar mal.
— Sabe uma coisa importante? Síndrome do pânico não é
frescura nem falta de vontade. É um problema de saúde que merece cuidado.
— Ainda bem que você falou isso. Tem gente que diz “é só se
acalmar”, como se fosse simples.
— Quem nunca passou por isso, às vezes, não entende. Durante
uma crise a pessoa pode sentir coração acelerado, suor, tremor, tontura,
sensação de falta de ar e até medo de morrer.
— Parece exatamente o que acontece comigo. E depois fico
exausta.
— Porque o corpo entra em estado de alerta, como se estivesse
enfrentando um perigo enorme.
— E o que eu posso fazer quando começar?
— O médico e a psicóloga são as pessoas mais indicadas para
te orientar, mas algumas coisas costumam ajudar: respirar devagar, tentar
perceber o ambiente ao redor, sentar em um lugar seguro e lembrar que crise
também passa.
— Respirar devagar parece simples, mas na hora eu esqueço.
— Dá para treinar antes de sair de casa. Inspirar pelo nariz,
segurar um pouquinho e soltar devagar pela boca. Não resolve tudo, mas ajuda o
corpo a desacelerar.
— A psicóloga também falou para eu não ficar pesquisando na
internet sobre sintomas, remédios, se tem cura ou não.
— Esse é um bom conselho. Às vezes a pessoa lê um monte de
coisas assustadoras e fica ainda mais ansiosa. Não dá para confiar em tudo que
se lê na Internet.
— Minha mãe está tentando me ajudar, mas também fica
preocupada.
— É normal. A família sofre junto. O importante é não
enfrentar isso sozinha.
— Tem cura?
— Muita gente melhora bastante com tratamento. Psicoterapia
ajuda muito, e em alguns casos o médico pode indicar remédios ou outro
tratamento alternativo. Cada pessoa é avaliada de um jeito.
— Eu tenho medo de precisar de tratamento.
— Não precisa ter vergonha. Se alguém quebra a perna ou tem
um resfriado, procura um médico. Com a saúde emocional também deve ser assim.
— Faz sentido. Acho que eu estava tentando esconder isso de
mim mesma.
— E esconder costuma aumentar a sensação de estar lutando
sozinha.
— Tem alguma forma de prevenir?
— Não existe fórmula mágica, mas dormir bem, manter uma
rotina mais organizada, praticar atividade física, conversar sobre os
sentimentos e evitar excesso de cafeína podem ajudar algumas pessoas.
— Eu andava dormindo muito mal e tomando energético quase
todo dia.
— Talvez valha a pena conversar sobre isso com o profissional
que está te acompanhando. Pequenas mudanças de hábitos podem fazer diferença.
— E se eu tiver uma crise forte no trabalho ou na faculdade?
— Você pode avisar um superior ou alguém de confiança. Não
precisa enfrentar tudo calada. Ter pessoas que saibam o que está acontecendo
ajuda bastante.
— Acho que o medo de passar vergonha é enorme.
— Eu sei. Mas pedir ajuda não é vergonha. Vergonha seria
fingir que está tudo bem enquanto sofre por dentro.
— Você fala isso de um jeito que me deixa mais tranquila.
— Porque eu acredito que você vai conseguir passar por essa
fase. Não de um dia para o outro, mas passo a passo.
— Hoje já me sinto um pouco melhor só por conversar.
— Conversar é um começo poderoso. Às vezes, a gente descobre
que o medo diminui quando deixamos de carregá-lo sozinhos.
— Obrigada por me ouvir sem me julgar.
— Sempre estarei aqui. E lembre-se: procurar ajuda
profissional é sinal de coragem, não de fraqueza.
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O que é a Síndrome do Pânico?
A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade que provoca
crises repentinas de medo muito intenso, mesmo quando não existe um perigo
real. Durante essas crises, é comum a pessoa sentir o coração acelerar, falta
de ar, tremores, suor, tontura, aperto no peito e uma forte sensação de que
algo ruim vai acontecer. Embora os sintomas sejam assustadores, eles não
significam que a pessoa esteja correndo risco de vida naquele momento.
Quando não recebe tratamento, a síndrome do pânico pode
trazer várias consequências. O medo de passar por uma nova crise faz com que
muitas pessoas deixem de sair de casa, frequentar lugares movimentados,
estudar, trabalhar ou até encontrar amigos e familiares. Esse isolamento pode
afetar a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida.
A boa notícia é que a síndrome do pânico tem tratamento.
Procurar um médico e um psicólogo é o primeiro passo para entender o que está
acontecendo e receber a orientação adequada. Em alguns casos, o médico pode
indicar medicamentos para ajudar no controle das crises. Além disso, manter uma
boa rotina de sono, praticar atividades físicas, evitar o excesso de cafeína,
aprender técnicas de respiração e conversar sobre os sentimentos podem
contribuir para a recuperação. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma
atitude de coragem e de cuidado com a própria saúde.
Se alguém da sua família ou um amigo estiver passando por uma crise de síndrome do pânico, o mais importante é manter a calma e ficar ao lado dessa pessoa. Fale com voz tranquila, diga que ela não está sozinha e evite frases como "isso é bobagem" ou "é só se controlar", porque isso pode fazê-la se sentir ainda pior. Se possível, leve-a para um lugar mais calmo, incentive-a a respirar devagar e não a pressione para "reagir".
Depois que a crise passar, converse com carinho e incentive-a a procurar ajuda de um médico ou psicólogo, caso ainda não esteja em tratamento. Ter alguém que escuta, compreende e oferece apoio faz toda a diferença e pode dar à pessoa a força que ela precisa para enfrentar esse momento difícil.

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