domingo, 5 de julho de 2026

Síndrome do Pânico: o inimigo invisível que muitos não veem ou não entendem.


            Era fim de tarde quando os amigos, Lara e Miguel, saíram do trabalho e sentaram no banco da praça. O céu estava ficando alaranjado, mas Lara parecia distante. Fazia alguns dias que ela vinha evitando companhias, recusando convites e dizendo que estava “estranha”. Miguel percebeu que algo estava errado e decidiu perguntar com calma, sem pressão.

— Você anda quieta faz tempo. Aconteceu alguma coisa?

— Eu nem sei explicar direito. Parece que meu coração dispara do nada. Fico com falta de ar, tremendo, achando que vou desmaiar.

— Isso acontece em momentos específicos?

— Às vezes no ônibus, no trabalho, no mercado. Teve um dia em que eu estava fazendo compras e começou de repente. Achei que estava tendo um problema grave.

— Você contou isso para alguém da sua família?

— Contei para minha mãe. Ela ficou preocupada e marcou consulta. O médico falou em síndrome do pânico, mas eu ainda tenho medo.

— Eu entendo. Quando a gente sente algo tão forte, parece impossível acreditar que pode ser pânico ou ansiedade.

— O pior é que eu fico pensando: “E se acontecer de novo?” Aí começo a evitar sair.

— Esse medo de ter uma crise pode acabar alimentando o problema. É como um círculo. É preciso enfrentar o problema.

— Exatamente! Eu já deixei de ir ao shopping e até de visitar minha prima porque fiquei com medo de passar mal.

— Sabe uma coisa importante? Síndrome do pânico não é frescura nem falta de vontade. É um problema de saúde que merece cuidado.

— Ainda bem que você falou isso. Tem gente que diz “é só se acalmar”, como se fosse simples.

— Quem nunca passou por isso, às vezes, não entende. Durante uma crise a pessoa pode sentir coração acelerado, suor, tremor, tontura, sensação de falta de ar e até medo de morrer.

— Parece exatamente o que acontece comigo. E depois fico exausta.

— Porque o corpo entra em estado de alerta, como se estivesse enfrentando um perigo enorme.

— E o que eu posso fazer quando começar?

— O médico e a psicóloga são as pessoas mais indicadas para te orientar, mas algumas coisas costumam ajudar: respirar devagar, tentar perceber o ambiente ao redor, sentar em um lugar seguro e lembrar que crise também passa.

— Respirar devagar parece simples, mas na hora eu esqueço.

— Dá para treinar antes de sair de casa. Inspirar pelo nariz, segurar um pouquinho e soltar devagar pela boca. Não resolve tudo, mas ajuda o corpo a desacelerar.

— A psicóloga também falou para eu não ficar pesquisando na internet sobre sintomas, remédios, se tem cura ou não.

— Esse é um bom conselho. Às vezes a pessoa lê um monte de coisas assustadoras e fica ainda mais ansiosa. Não dá para confiar em tudo que se lê na Internet.

— Minha mãe está tentando me ajudar, mas também fica preocupada.

— É normal. A família sofre junto. O importante é não enfrentar isso sozinha.

— Tem cura?

— Muita gente melhora bastante com tratamento. Psicoterapia ajuda muito, e em alguns casos o médico pode indicar remédios ou outro tratamento alternativo. Cada pessoa é avaliada de um jeito.

— Eu tenho medo de precisar de tratamento.

— Não precisa ter vergonha. Se alguém quebra a perna ou tem um resfriado, procura um médico. Com a saúde emocional também deve ser assim.

— Faz sentido. Acho que eu estava tentando esconder isso de mim mesma.

— E esconder costuma aumentar a sensação de estar lutando sozinha.

— Tem alguma forma de prevenir?

— Não existe fórmula mágica, mas dormir bem, manter uma rotina mais organizada, praticar atividade física, conversar sobre os sentimentos e evitar excesso de cafeína podem ajudar algumas pessoas.

— Eu andava dormindo muito mal e tomando energético quase todo dia.

— Talvez valha a pena conversar sobre isso com o profissional que está te acompanhando. Pequenas mudanças de hábitos podem fazer diferença.

— E se eu tiver uma crise forte no trabalho ou na faculdade?

— Você pode avisar um superior ou alguém de confiança. Não precisa enfrentar tudo calada. Ter pessoas que saibam o que está acontecendo ajuda bastante.

— Acho que o medo de passar vergonha é enorme.

— Eu sei. Mas pedir ajuda não é vergonha. Vergonha seria fingir que está tudo bem enquanto sofre por dentro.

— Você fala isso de um jeito que me deixa mais tranquila.

— Porque eu acredito que você vai conseguir passar por essa fase. Não de um dia para o outro, mas passo a passo.

— Hoje já me sinto um pouco melhor só por conversar.

— Conversar é um começo poderoso. Às vezes, a gente descobre que o medo diminui quando deixamos de carregá-lo sozinhos.

— Obrigada por me ouvir sem me julgar.

— Sempre estarei aqui. E lembre-se: procurar ajuda profissional é sinal de coragem, não de fraqueza.

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O que é a Síndrome do Pânico?

A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade que provoca crises repentinas de medo muito intenso, mesmo quando não existe um perigo real. Durante essas crises, é comum a pessoa sentir o coração acelerar, falta de ar, tremores, suor, tontura, aperto no peito e uma forte sensação de que algo ruim vai acontecer. Embora os sintomas sejam assustadores, eles não significam que a pessoa esteja correndo risco de vida naquele momento.

Quando não recebe tratamento, a síndrome do pânico pode trazer várias consequências. O medo de passar por uma nova crise faz com que muitas pessoas deixem de sair de casa, frequentar lugares movimentados, estudar, trabalhar ou até encontrar amigos e familiares. Esse isolamento pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida.

A boa notícia é que a síndrome do pânico tem tratamento. Procurar um médico e um psicólogo é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e receber a orientação adequada. Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para ajudar no controle das crises. Além disso, manter uma boa rotina de sono, praticar atividades físicas, evitar o excesso de cafeína, aprender técnicas de respiração e conversar sobre os sentimentos podem contribuir para a recuperação. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma atitude de coragem e de cuidado com a própria saúde.

Se alguém da sua família ou um amigo estiver passando por uma crise de síndrome do pânico, o mais importante é manter a calma e ficar ao lado dessa pessoa. Fale com voz tranquila, diga que ela não está sozinha e evite frases como "isso é bobagem" ou "é só se controlar", porque isso pode fazê-la se sentir ainda pior. Se possível, leve-a para um lugar mais calmo, incentive-a a respirar devagar e não a pressione para "reagir". 

Depois que a crise passar, converse com carinho e incentive-a a procurar ajuda de um médico ou psicólogo, caso ainda não esteja em tratamento. Ter alguém que escuta, compreende e oferece apoio faz toda a diferença e pode dar à pessoa a força que ela precisa para enfrentar esse momento difícil.


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