Caio e Lara namoravam há uns três anos e todos comentavam do
carinho e amor que um demonstrava ao outro. Naquela sexta-feira, 12 de junho,
não era diferente. Os dois estavam juntos, jantando no Restaurante Família Zanatta, no Jantar dos Namorados, promovido pelo restaurante.
— Então, mais um Dia dos Namorados juntos. Gostou do jantar? — perguntou Lara,
mexendo no cafezinho que o garçom trouxera, e observando outros casais sentados
próximos a eles.
— Especial como sempre… mas, em relação a este dia, eu gosto mais de pensar como Dia dos Enamorados —
respondeu Caio. — Parece mais bonito, mais verdadeiro.
— Dia dos Enamorados? — ela sorriu. — Como assim? Explica isso melhor.
— É que o amor não cabe em uma caixinha só. A gente pode amar
como namorado, como marido, como amigo, como filho, como neto, como avô… e cada
amor tem um jeito diferente de existir, mas todos devem ser verdadeiros.
— Então você está me dizendo que eu posso celebrar o amor sem
precisar seguir um roteiro de comercial de televisão?
— Exatamente. Sem jantar caro, sem foto perfeita, sem filtro.
Só presença.
— Gosto disso. Porque, sinceramente, às vezes parece que o
amor virou competição.
— E amor não é campeonato — disse Caio. — Amor é cuidado. É
lembrar da pessoa. É mandar mensagem no meio do dia só para saber se ela chegou
bem. É entrar madrugada adentro conversando com aquela pessoa especial.
— É dividir a última batata frita mesmo querendo comer
inteira — completou Lara, rindo.
— Isso é prova de amor nível avançado, nível hard.
— Então eu já mereço um troféu — brincou ela. — Mas falando
sério… você acha que as pessoas têm vergonha de dizer “eu te amo”?
— Acho. Tem gente que acha que falar é fraqueza. Outros
esperam o momento perfeito. E o problema é que o momento perfeito raramente
aparece.
— É verdade. Às vezes a gente perde tempo demais tentando
parecer forte, quando, na verdade, é somente medo de assumir nossos
sentimentos.
— E o amor, quando é sincero, não precisa parecer nada. Ele
só é.
— Bonito isso.
— Não fui eu que inventei. Aprendi vivendo.
— Comigo? — perguntou Lara, levantando a sobrancelha.
— Principalmente com você.
Ela ficou em silêncio por um instante, daquele jeito que
parece simples por fora, mas faz um barulho enorme por dentro.
— Sabe uma coisa que eu gosto na gente? — disse ela. — Você
nunca tentou me consertar.
— Porque você não é um projeto, uma máquina. Você é uma
pessoa.
— Tem muita gente que entra na vida do outro querendo
reformar tudo.
— O amor não é obra de construção. É companhia.
— Companhia… gostei dessa palavra.
— É o que eu sinto. Eu não quero mudar quem você é. Quero
caminhar ao lado. Sermos um só.
— Mesmo quando eu fico dramática?
— Principalmente quando você fica dramática. Fica até
engraçada.
— Ei!
— O quê? Você sabe que é verdade.
Ela riu, encostando a cabeça no ombro dele.
— Às vezes, eu penso que o amor está nas coisas pequenas, nos
detalhes. Não nas grandes declarações.
— Também penso isso. Está no “chegou em casa?”, no “comeu?”,
no “descansa um pouco” e no tradicional “leva o casaco”. Está em lembrar o
gosto do sorvete favorito da pessoa.
— E em deixar a última batata frita para sua namorada.
— Você continua insistindo nesse sacrifício heroico da batata
frita.
— Porque é muito sério.
Os dois ficaram olhando a rua por alguns segundos, ouvindo o
movimento da cidade. Gente passando, buzina ao longe, vida acontecendo.
— Sabe… hoje eu vou mandar mensagem para minha mãe, para
minha avó e para uma amiga que está passando por um momento difícil — disse
Lara. — Acho que faz sentido celebrar todos os amores.
— Faz muito sentido.
— E você?
— Eu vou fazer o mesmo. Tem gente importante na minha vida
que às vezes não escuta isso o suficiente.
— Então promete uma coisa?
— Qual?
— Que a gente não vai economizar carinho, nem palavras, com
as pessoas importantes para nós?
— Prometo. Porque a verdade é que, de um jeito ou de outro, a
gente sempre ama alguém.
Ela levantou os olhos para ele, com aquele sorriso pequeno
que diz mais do que um discurso inteiro.
— Então deixa eu começar agora.
— Estou ouvindo.
— Eu te amo.
Caio sorriu, apertando a mão dela com calma.
— Eu também te amo. E espero que a gente nunca tenha vergonha
de dizer isso.
— Nem para nós, nem para quem faz parte da nossa vida.
— Combinado.
E ali, sem música de filme, sem cenário perfeito, só com duas
pessoas dividindo almoço e um cafezinho, risadas e silêncio, o amor parecia
exatamente o que deveria ser: simples, sincero e humano.
-----------------
O amor não precisa de datas para existir, mas algumas datas
nos lembram do que realmente importa. Não importa se é amor de namoro, amizade,
família ou parceria de vida. O que importa é cuidar, ouvir, respeitar e estar
presente.
As maiores demonstrações de amor raramente são grandiosas.
Elas aparecem nos detalhes do cotidiano: na mensagem enviada no meio do dia, na
preocupação sincera, no abraço após um dia difícil, no “EU TE AMO” dito sem
medo.
E, talvez, essa seja a moral mais bonita: não espere o
momento perfeito para demonstrar carinho. O amor cresce quando é compartilhado.
E a vida fica muito mais leve quando a gente tem coragem de dizer — e de viver
— o que sente.
Feliz Dia dos Enamorados!

Nenhum comentário:
Postar um comentário