
Era
uma tarde cinzenta, dessas que fazem a gente querer se encolher num canto com
uma xícara de café quente nas mãos. O café perto da faculdade estava lotado,
cheio de vozes misturadas e o som de xícaras batendo nos pires. Clara e Luciano
conseguiram se acomodar num canto mais tranquilo, mas o silêncio entre eles era
mais pesado que a garoa lá fora.
Clara
girava sua xícara de cappuccino, buscando coragem para dizer o que precisava.
Finalmente, quebrou o silêncio:
— Luciano, você não precisa passar por isso sozinho, sabe? Já faz três meses… e parece que você tá se afastando de tudo. De mim, dos seus amigos, até dos seus sonhos.
