
Era
uma tarde comum, dessas que o sol insiste em brilhar mesmo quando o vento frio
teima em soprar. Eu estava sentado no banco da praça, mexendo no celular,
quando o Lucas apareceu do nada, com aquele jeito dele de quem sempre tem algo
a dizer. Ele sentou ao meu lado, bufando como se tivesse corrido uma maratona.
“Cara,
você já parou pra pensar como a gente é diferente de todo mundo?” – ele
perguntou, olhando pro céu como se as nuvens fossem responder.
Eu
ri, meio sem jeito. “Diferente como? Tipo, porque você usa meia com chinelo e
eu não?”
Ele
me deu um tapa no ombro, rindo alto. “Não, idiota! Diferente de verdade. Tipo,
o jeito que a gente pensa, as coisas que a gente quer. Todo mundo na escola
parece seguir um roteiro, sabe? E eu... eu não encaixo nisso.”
Parei pra pensar. Ele tinha razão. O Lucas nunca foi de seguir a onda. Enquanto os outros sonhavam com vestibular, emprego fixo e carro na garagem, ele falava em viajar o mundo com uma câmera na mão. Eu, por outro lado, sempre quis escrever histórias, mesmo que me dissessem que “isso não dá dinheiro”.
