quinta-feira, 13 de março de 2025

Não é sobre colher flores. É sobre construir jardins.

 
            — Mano, não dá mais. Eu desisto.

— De novo essa conversa, cara?

— Eu tô falando sério, Gabriel. Não aguento mais. Faço tudo certo, me esforço, corro atrás… e nada acontece.

— E o que exatamente você esperava que acontecesse?

— Que as coisas dessem certo! Sei lá, que eu tivesse um reconhecimento, que minha vida estivesse diferente agora.

— Ah, entendi. Você queria colher flores sem antes ter plantado o jardim.

— Como assim?

— Você tá esperando resultados sem ter construído uma base sólida. Tipo, quer chegar no topo da montanha, mas sem ter escalado.

Ser diferente não é um defeito, é uma vantagem.

 
            Era uma tarde comum, dessas que o sol insiste em brilhar mesmo quando o vento frio teima em soprar. Eu estava sentado no banco da praça, mexendo no celular, quando o Lucas apareceu do nada, com aquele jeito dele de quem sempre tem algo a dizer. Ele sentou ao meu lado, bufando como se tivesse corrido uma maratona.

“Cara, você já parou pra pensar como a gente é diferente de todo mundo?” – ele perguntou, olhando pro céu como se as nuvens fossem responder.

Eu ri, meio sem jeito. “Diferente como? Tipo, porque você usa meia com chinelo e eu não?”

Ele me deu um tapa no ombro, rindo alto. “Não, idiota! Diferente de verdade. Tipo, o jeito que a gente pensa, as coisas que a gente quer. Todo mundo na escola parece seguir um roteiro, sabe? E eu... eu não encaixo nisso.”

Parei pra pensar. Ele tinha razão. O Lucas nunca foi de seguir a onda. Enquanto os outros sonhavam com vestibular, emprego fixo e carro na garagem, ele falava em viajar o mundo com uma câmera na mão. Eu, por outro lado, sempre quis escrever histórias, mesmo que me dissessem que “isso não dá dinheiro”.


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