Era uma noite dessas, com vento sussurrando segredos para as árvores. As ruas do bairro explodiam em risadas, fantasias, sacolas cheias de doces nas mãozinhas das crianças, com idades entre 9 e 12 anos. João usava uma capa preta, quase raspando no chão. Mariana era uma caveira, com o rosto pintado, os olhos fundos, misturando medo e diversão. Lucas, um bruxo com chapéu torto, Clara, com vassoura improvisada, parecia uma bruxinha de verdade.
De casa em casa, eles iam, rindo, gritando “doces ou travessuras! ” contandos histórias de fantasmas e vampiros. Tudo rolava como todo Halloween deve ser: divertido, e até um pouco assustador. Mas, de repente, João parou. Num banco da praça, um velho fumava cachimbo, encarando-os com um sorriso discreto, como quem sabia bem mais do que demonstrava.
— E aí, senhor, a gente te assustou? — João perguntou, exibindo dentes de plástico, um sorriso zombeteiro.

