Na pequena mesa da cafeteria, Ana e Júlia se
encontraram após meses prometendo um café juntas. Era uma tarde fria, e as duas
seguravam suas xícaras como quem abraça uma fonte de calor.
— Não sei como você consegue, Ana — começou Júlia, franzindo a testa. — Chegar em casa, todo dia, e não ter ninguém lá. Eu acho que ficaria maluca.
Ana
deu um gole no cappuccino e riu, ajeitando o cachecol.
— E eu não sei como você aguenta dividir espaço com alguém, Júlia. Às vezes, o silêncio é a melhor companhia.

