Felipe entrou em casa batendo a porta. O som ecoou pelo pequeno apartamento, carregado de frustração. Na cozinha, Ana, ainda com a calça social e a blusa leve que vestira para ir ao trabalho, parou de tirar a casca de um ovo cozido e olhou para o relógio. Ele tinha chegado mais tarde do que o habitual.
—
Oi, amor. Tudo bem? — perguntou, tentando sorrir de forma acolhedora.
Felipe
estava largado no sofá. Os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos segurando a
cabeça. Ele não respondeu de imediato, mas sua postura já dizia tudo.
— Foi um dia horrível, Ana. O trabalho está um caos, o carro na oficina vai custar uma fortuna, e as contas... nem sei como vamos fazer pra pagar tudo este mês. Parece que tudo está desmoronando ao mesmo tempo.

