
Paulo,
17 anos, está sentado em um banco, mexendo no celular, com cara de quem está
meio perdido. Ao lado, senta-se Clara, 22 anos, com um caderno na mão e um
sorriso que parece saber mais do que diz. Ele puxa papo.
—
Tô de saco cheio, Clara. Todo mundo quer me dizer o que fazer, o que pensar.
Parece que estão gritando na minha orelha o tempo todo.
—
Sei como é. Mas, Paulo, já parou pra pensar que, às vezes, não é quem está
falando que faz a diferença, mas se você está mesmo querendo ouvir?
— Como assim? Se a pessoa tá falando um monte de coisa que não faz sentido, eu vou ouvir por quê? É tipo ouvir rádio fora da estação, só chiado.
