Era uma tarde daquelas cinzentas, onde o céu está em dúvida se chove ou se vai se render ao brilho do sol. Rafa e Lia, dois amigos e colegas de escola, caminhavam sem um destino certo, apenas para deixar o tempo passar até o horário de voltar para suas casas.
Lia
coçou o queixo, olhando para aquele céu indeciso.
—
Cara, tô pensando uma coisa meio doida… será que a gente vira imã do que sente?
Rafa
chutou uma pedrinha, rindo de leve.
—
Doida nada. Sempre achei que o coração fosse meio antena, puxando todos os
sinais do mundo, sejam eles bons ou ruins.
Lia
apertou os olhos, como quem tenta enxergar mais longe do que dá, na tentativa,
talvez, de identificar um pássaro que voava ao longe.
— Então, se eu vivo reclamando, eu puxo mais coisa pra reclamar?

