domingo, 3 de novembro de 2024

Às vezes, o silêncio causa o maior barulho.

 
            Lucas, com seus 17 anos, sentava-se na poltrona do consultório da terapeuta pela primeira vez. As mãos inquietas, os pés batendo no chão. Não gostava muito da ideia de estar ali, mas sabia que precisava de alguma ajuda. Ele vivia perdendo o controle, falando coisas no calor do momento e depois, quando a raiva passava, ficava só o arrependimento.

A terapeuta, Dr.ᵃ Helena, observava em silêncio. Sabia que não precisava fazer muito para ele começar a falar. E, claro, não demorou muito:

Sabe, eu não aguento! Parece que as coisas vão saindo sem eu pensar. Quando eu vejo, já falei um monte e a pessoa fica lá, sem saber o que fazer. Depois… depois eu fico me sentindo horrível — Lucas desabafou, suspirando.

sábado, 2 de novembro de 2024

Somos substituíveis naquilo que fazemos, mas jamais naquilo que somos.

 

Léo estava sentado na varanda com o avô, num fim de tarde tranquilo, quando resolveu desabafar. Ele recém havia completado 16 anos e acabara de perder o estágio e, sabendo que a vaga logo seria preenchida por outra pessoa, sentia um vazio estranho no peito. Olhou para o avô, que saboreava o café lentamente, e não resistiu:

— Vovô, você já se sentiu… substituível?

O velho sorriu de canto, observando o neto por alguns segundos antes de responder.

Olha, Léo, já sim. Acho que todo mundo sente isso em algum momento, principalmente quando perdemos algo que a gente acha que só nós sabemos fazer — começou ele, ajeitando os óculos. — Mas deixa eu te contar uma coisa… você lembra da história da oficina, né?


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