Marcelo, com seus 17 anos,
estava em um daqueles dias em que o peso do mundo parecia maior do que ele
podia carregar. Sentado na varanda da casa do avô, olhava para o horizonte sem
prestar muita atenção em nada. Seu pai, João, e o avô emprestado, Sr. Antônio,
estavam ali também, em silêncio. O avô percebeu o olhar distante do neto e
quebrou o silêncio:
—
Parece que hoje tem alguma coisa entalada aí, hein, Marcelo? — disse o Sr.
Antônio com um sorriso leve, aquele típico jeito descontraído que ele usava
para começar uma conversa.
Marcelo deu de ombros, sem muito entusiasmo.
— É, talvez… Só um monte de coisa na cabeça.

