domingo, 24 de novembro de 2024

Esperar dói, esquecer também dói, mas não saber se deve esperar ou esquecer, dói mais ainda.

 

O quarto de Clara estava tão bagunçado quanto ela se sentia por dentro. Pilhas de roupas jogadas na cadeira, um livro aberto no chão, e a cama mal arrumada. Ela estava sentada no meio daquele caos, abraçando um travesseiro como se fosse a única coisa que a sustentava. Ana, sentada no tapete encostada na cama, segurava uma caneca de chá que já tinha esfriado. 

Ele te bloqueou mesmo? — Ana perguntou, quebrando o silêncio que já durava alguns minutos. 

Clara olhou para o chão, evitando o olhar da amiga. 

— Bloqueou. Primeiro no WhatsApp, depois nas outras redes sociais... É como se ele quisesse me apagar da vida dele de uma vez. 

sábado, 23 de novembro de 2024

Diferente dos filmes, na vida não podemos voltar na melhor parte.

 
            A sala estava cheia de vida. Crianças corriam para todo lado, disputando quem pegava mais docinhos da mesa, enquanto o aniversariante de 12 anos exibia orgulhoso o cesto abarrotado de presentes. Luiz, Paulo e Elisa, os primos de 20 anos, estavam no canto da sala, observando tudo com um olhar que misturava diversão e nostalgia.

Olha essa mesa. — Luiz apontou para os brigadeiros, beijinhos e coxinhas perfeitamente alinhados. — Parece aquelas festas que as nossas mães faziam quando a gente tinha essa idade.

Paulo riu, pegando um brigadeiro e o jogando na boca.

Aquelas festas eram épicas. Lembro do meu aniversário de 12 anos. — Ele fez uma pausa dramática, olhando para os primos. — Foi o ano em que ganhei meu primeiro videogame. Cara, eu fiquei tão fissurado que a mãe precisou esconder o controle na semana seguinte porque eu não fazia outra coisa.


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