
O
dia amanheceu lindo e, na casa do senhor Carlos, como em todos os domingos, o
café da manhã não tinha horário. Já passava das 10 horas da manhã quando o
senhor Carlos, seu filho Jefferson, de 16 anos, e Pedro, também com 16 anos e
amigo da família, sentaram-se na varanda para tomar o café.
Na
segunda-feira, Jefferson começaria seu primeiro emprego, o que o deixava
apreensivo e muito nervoso. O medo de enfrentar o novo era visível no semblante
do jovem. Aquele brincalhão, que fazia todos sorrirem, dava lugar a uma
seriedade estranha naquele dia. Após o primeiro gole de café, ele encontrou um
restinho de coragem dentro de si e puxou assunto com o pai.
—
Pai, tô muito nervoso com o dia de amanhã. Nem consegui dormir direito essa
noite — disse Jefferson, mexendo ansiosamente na xícara de café.
—
Calma, cara! Também fiquei assim no meu primeiro dia. É normal — respondeu
Pedro, que estava lá para passar o domingo com o melhor amigo.
— Normal? Tô quase surtando aqui! E se eu fizer tudo errado? E se não gostarem de mim? — Jefferson passou a mão pelos cabelos, claramente aflito.
