
Isabela
estava fazendo as unhas na sala de casa, quando seu irmão, Fábio, chegou do
trabalho.
—
Cara, tô me sentindo meio estranho esses dias. — disse Fábio, jogando a mochila
no chão da sala, com um suspiro pesado. O tipo de suspiro que carrega cansaço e
algo que não se explica fácil.
—
Estranho como? — perguntou Isabela, largando o esmalte sobre a mesa e cruzando
as pernas. O olhar curioso denunciava que ela queria entender mais.
—
Sei lá... parece que tô sozinho no mundo, sabe? Não importa onde eu esteja, eu
sinto que ninguém me entende de verdade. É como se eu tivesse desconectado de
tudo.
—
Hum, entendi. Você tá falando de solidão? É aquela sensação esquisita de vazio,
tipo estar no meio de uma multidão e, ainda assim, se sentir sozinho?
— É isso! Bem desse jeito. E é ruim, sabe? Pesa. Às vezes, até gosto de ficar sozinho, no meu canto, mas tem horas que eu até queria conversar, fazer parte de algo, e parece que estou invisível para o resto do mundo, como aconteceu agora na faculdade, por exemplo.
