Júlia e Davi caminhavam
na beira do lago, que fica na praça central da cidade, conversando e observando
algumas pessoas sentadas nos bancos próximos e algumas crianças andando nos
pedalinhos dentro d´água.
—
Sabe o que me irrita? — perguntou Davi, jogando uma pedra no lago.
—
Muita coisa — respondeu Júlia, rindo. — Mas, dessa vez, o que foi?
—
Minha cabeça não para. Fico remoendo coisas que nem aconteceram. Crio mil
cenários de desgraça antes de dar o primeiro passo. É como se eu estivesse me
sabotando o tempo todo.
— Ah, os famosos grilos na cabeça… a gente passa tempo demais alimentando grilos na cabeça e esquece de colecionar borboletas no estômago.

