
—
Ei… posso sentar aqui? — ela perguntou, com aquela cara de quem tem muita coisa
engasgada.
—
Pode, claro — respondi, dando uma chegadinha para o lado no banco.
—
Tô meio... sabe quando você tá cansada, mas não só do corpo?
—
Do mundo inteiro, né? Já senti isso. Um cansaço que parece que nem cochilo
resolve.
—
Exato. Acho que tô virando apoio demais pros outros e zero pra mim.
—
Bem-vinda ao clube dos que escutam todo mundo e voltam pra casa com a cabeça
cheia e o coração meio vazio.
—
É tipo isso. Sempre que alguém quebra, eu viro a “salva-vidas”. Mas quando eu
tô afundando, ninguém nem vê.
— Você virou o curativo.
