
Final
de tarde, Léo acompanhava Clara, que havia levado sua irmã, Luiza, de apenas 8
anos, para brincar na praça.
—
Ei, já reparou nessa cicatriz na minha mão? — perguntou Léo, esticando o braço
pra mostrar uma linha meio tortuosa que cruzava a palma.
—
Claro, como não? Parece que você brigou com a faca do pão e perdeu — respondeu
Clara, rindo enquanto mexia no cabelo, sentada no balanço da praça.
—
Quase isso! Foi numa queda de skate, uns dois meses atrás. Eu tava tentando um
ollie e... bom, o chão ganhou — ele deu um sorriso torto, como se revivesse a
cena.
—
E tu ainda acha isso legal?
— Não é que eu ache legal. É que essa marca me lembra que eu caí, mas levantei, tentei de novo, até conseguir. Sabe, tipo um troféu esquisito — Léo deu de ombros, olhando pro céu que começava a ficar laranja.
