terça-feira, 30 de setembro de 2025

0 amigo que nunca descansa.


— Vô, posso perguntar uma coisa meio séria? — disse Lucas, de 16 anos, ajeitando o boné pra trás.

— Pode, meu neto. Só não me venha pedir dinheiro, que o coração do vô já sofre de outro jeito — respondeu Joaquim, o avô de 65 anos, caindo na risada.

— Que nada, vô. É que eu ouvi falar que até gente nova anda tendo problema no coração. Isso é verdade?

— É sim, menino. O coração não escolhe idade, não. Se a pessoa não cuida, mais cedo ou mais tarde ele dá sinal.

— Ué, mas como assim, vô? — perguntou Ana, de 17 anos, encostando o queixo na mão. — Sempre achei que isso era coisa de gente velha.

— Pois é aí que tá o perigo. Doença de coração começa devagarzinho, sem fazer barulho. Vai se juntando no prato cheio de gordura todo dia, na preguiça, no cigarro escondido... Quando a gente vê, já está feito o estrago.

— Vixe... — murmurou Júlia, de 15 anos, mastigando devagar um pedaço de pão. — Então não é só azar ou herança da família?

— Não, minha neta. Ter parente com problema de coração até aumenta o risco, mas não é a única causa. Vocês têm escolha. O coração gosta é de cuidado simples: andar, brincar, dançar, comer coisa de verdade.

— E esse pão com mortadela aqui, vô, atrapalha? — Júlia perguntou rindo, meio sem jeito.

— Comer não mata, não. Mas se isso vira rotina, aí o coração reclama. Tudo é equilíbrio. Um lanche de vez em quando não faz mal, mas se viver só de porcaria, cedo ou tarde ele cobra a conta.

— Então, além de comer melhor, tem que mexer o corpo, né? — disse Lucas. — Mas eu já jogo bola, tô garantido.

— Está no caminho certo, mas não é só jogar bola. É não ficar horas parado grudado na tela do celular ou do game. O corpo foi feito pra se mexer, não para virar poste.

— E quem fuma, vô? Tenho colega na escola que já fuma escondido.

— Esse é inimigo número um do coração. Cigarro engana: estraga o pulmão e entope as veias e artérias. Cada tragada é como dar um empurrãozinho para o coração parar mais cedo.

— Cruz credo... — Ana fez careta. — E a bebida, vô?

— Um golinho de vez em quando não acaba com ninguém, mas exagerar faz o coração perder o ritmo. Ele até aguenta uma brincadeira, mas não dá para judiar dele todo dia.

— Então, no fundo, é só questão de escolha, né? — disse Júlia.

— É isso aí. O coração só devolve o que a gente dá. Se der lixo, ele enfraquece. Se cuidar bem, ele fica forte e dura bastante.

— Mas e quando o coração sofre de amor, vô? — Ana perguntou, teatral, botando a mão no peito.

— Ah, esse é outro tipo de problema. Não mata o corpo, mas machuca a alma. E não tem remédio em farmácia, não... só o tempo, boas risadas e amizades certas podem amenizar.

— Ih, começou a filosofia... — Lucas caiu na gargalhada.

— Filosofia nada, menino. É a vida que ensina. Já passei noites sem dormir por causa de amor mal resolvido. O coração sofre por dentro e até bagunça o corpo.

— Sério, vô?

— Sério mesmo. Quando a tristeza pega forte, o coração dispara, a pressão sobe, o corpo fica sem forças. É como se a dor fosse um veneno lento.

— Então rir e ser feliz também ajuda a prevenir? — perguntou Júlia, animada.

— Mais que prevenção, é remédio, minha filha. Riso é coisa que limpa a alma e deixa o coração mais leve.

— Gostei dessa. Vou rir até das minhas próprias bobagens — disse Lucas, caindo na risada sozinho.

— Isso aí, meu neto. O coração precisa de alegria tanto quanto precisa de comida e descanso.

— E o nervoso, vô? Esse também estraga o coração? — perguntou Ana.

— Estraga e muito. Viver brigando, cheio de raiva, é como carregar pedra no peito. O coração não nasceu para viver apertado.

— Tipo eu e a Júlia brigando pelo último pedaço de bolo? — Lucas fez graça.

— Exatamente. O bolo acaba, mas o estresse fica. Melhor dividir do que os dois saírem perdendo.

— Quer saber, vô? Acho que o coração é tipo um amigo que a gente precisa respeitar todo dia.

— Tá certinha, Ana. Ele é o amigo mais fiel que vocês têm. Tá com vocês desde o primeiro choro até o último suspiro. Só pede cuidado em troca.

— Vou lembrar disso, sempre. Porque não adianta viver de qualquer jeito se o coração não acompanhar — disse Júlia, com os olhos marejados.

— E lembrem bem: não adianta só cuidar quando a dor aparece. O coração gosta é de prevenção, de carinho de todo dia. Quem cuida cedo, colhe vida longa.

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O coração é simples: gosta de movimento, de comida boa, de riso e de paz. Se a gente oferece isso, ele responde com força e vida longa.

Mas também sente quando carregamos mágoa, tristeza ou deixamos o amor machucar. Prevenir, nesse caso, é viver leve, escolher bem as companhias e não deixar a alegria escapar.

Um coração bem cuidado é o maior presente que a gente pode dar pra si mesmo. Porque, no fim, é ele que garante que a vida siga firme, com histórias pra contar e muitos risos pelo caminho.

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