
—
Cara, ouvi uma frase ontem que não sai da minha cabeça: “Não chame de
tempestade em copo d’água uma chuva que não é sua.”
—
Ih, lá vem você com essas frases que parecem coisa de status de WhatsApp. Mas
vai, explica aí.
—
Não, sério. É sobre não diminuir o problema dos outros. Tipo, não sair chamando
de drama o que você não sente na pele.
—
Tá… então quando eu falei pro meu primo parar de frescura porque perdeu uma
figurinha do álbum, eu errei?
— Errou feio. Pra você era só papel colorido. Pra ele, era tipo perder a taça da Copa.
—
Nossa, mas era só figurinha!
—
E você nunca chorou por besteira?
—
Já… chorei porque minha mãe lavou minha camiseta da sorte bem no dia da prova.
—
Aí! E se alguém tivesse falado “é só uma camiseta”?
—
Eu ia querer jogar o livro de matemática na cabeça da pessoa.
—
Pois é. Cada um sente a dor de um jeito. O que pra você é nada, pra outro pode
ser o mundo desabando.
—
Então quer dizer que eu tenho que levar tudo a sério? Tipo, até se alguém
chorar porque o cachorro latiu pra ela?
—
Não é levar tudo a sério. É respeitar. Você não precisa sentir igual, só não
precisa debochar.
—
Tá… confesso: uma amiga terminou um namoro de três dias e eu soltei um “teu
namoro durou menos tempo do que pra fazer um miojo.”
—
Misericórdia.
—
Resultado: me bloqueou em tudo. WhatsApp, Instagram e, provavelmente, na vida.
—
Tá vendo? Pra ela era novela das nove. Pra você, era comercial de miojo.
—
Então essa frase é um lembrete: não tente medir a dor dos outros com a sua
régua.
—
Perfeito. Porque cada coração tem um peso diferente. O que afoga um pode ser só
respingo pra outro.
—
Mas às vezes é difícil. A gente cresce ouvindo “engole o choro”, “isso não é
nada”, “tem gente pior que você”.
—
É, fomos treinados a achar que sentir é fraqueza. Mas isso só faz a gente
engolir coisa até explodir.
—
Já passei por isso. Um dia chorei porque perdi uma caneta. Mas não era só uma
caneta, eu a ganhei do meu padrinho no dia da minha formatura no ensino
fundamental.
—
Aposto que teve gente pensando: “Nossa, tudo isso por causa de uma caneta?”
—
Teve. Só que não era só uma caneta, era a caneta.
—
É disso que eu tô falando. Nunca é só sobre o objeto, é sobre o significado.
—
Agora entendi. E se eu não entender a dor da pessoa, o que eu faço?
—
Simples: fica quieto e escuta. Às vezes, só estar ali já ajuda.
—
Então, em vez de falar “relaxa”, eu posso dizer “não sei o que você tá
sentindo, mas tô aqui”?
—
Isso. Parece pouca coisa, mas faz a pessoa se sentir menos sozinha.
—
Engraçado… a gente nunca faz isso. Sempre tenta dar um conselho pronto.
—
É porque parece mais fácil. Só que essas frases prontas soam como “não enche”,
“isso não é nada”.
—
Verdade. Já joguei um “bola pra frente” e depois fiquei pensando se ajudei ou
piorei.
—
Quase sempre piora. Mas dá pra aprender.
—
Então a missão é: respeitar, ouvir e apoiar?
—
Exatamente. Três passinhos simples, sem precisar de manual.
—
Gostei. Da próxima vez, vou tentar ser o guarda-chuva em vez do cara que diz
“nem tá chovendo tanto assim.”
—
Boa! Porque ninguém esquece quem ofereceu abrigo.
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Respeitar
a dor dos outros não custa nada, mas vale muito. Nem sempre você vai entender o
motivo, mas pode estar junto.
Ouvir
é melhor que julgar. E apoiar é mais valioso que despejar frases feitas que não
ajudam ninguém.
Então
guarda isso: “Não chame de tempestade em copo d’água uma chuva que não é sua.”
Pode ser que, no futuro, seja você quem vai precisar de alguém que segure o
guarda-chuva.
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