— Tem dias em que eu acordo já pedindo desculpa por existir. Antes mesmo de sair da cama, minha cabeça começa a listar tudo o que eu faço errado, tudo o que eu não sou, tudo o que eu deveria ser pra não incomodar ninguém.
—
Isso que você descreve não nasce do nada. É o resultado de muito tempo ouvindo
mais cobranças do que cuidado, mais silêncio do que conversa.
—
Eu me sinto um peso dentro da minha própria casa. Parece que tô sempre sobrando
no sofá, na mesa, na conversa. Como se minha presença fosse tolerada, não
desejada.
— Quando o jovem sente isso em casa, ele começa a confundir valor com utilidade. Acha que só merece estar ali se não der trabalho. Mas não é bem assim.
—
Ninguém me pergunta como eu tô de verdade. Perguntam se fiz minhas obrigações,
se não causei problema, se fiquei no meu canto. Acabo sentindo que não faço
parte daquela família, que não tenho direitos, só deveres.
— Isso ensina, mesmo sem querer, que sentimento é incômodo. Que sentir demais é errado. Devemos aprender a lidar com os sentimentos, separando os bons dos ruins. Só assim conseguimos ver que sempre há alguma coisa pra nos alegrar.
—
Eu comecei a me calar. Quanto menos eu falo, menos atrapalho. Pelo menos é o
que parece. Tudo o que eu falo não serve. Aliás, quando eu ouso falar, alguém
me manda calar a boca.
—
Mas se calar demais faz a dor crescer por dentro. O silêncio pode virar um
lugar perigoso quando ficamos somente "engolindo sapos" sem questionar. Às vezes, só estamos falando na hora errada
ou pras pessoas erradas.
—
Às vezes eu olho pra minha família e penso que eles seriam mais felizes sem
mim. Isso me assusta, mas ao mesmo tempo parece lógico na minha cabeça. Fico
pensando: será que eu fui desejada? Ou fui um imprevisto que aconteceu?
—
Esse pensamento não é lógico, é cansaço emocional. É a mente tentando achar uma
saída quando não vê acolhimento. Mas não podemos nos deixar levar pela primeira
impressão, porque a nossa mente, às vezes, mente.
—
Eu me comparo o tempo todo. Com primos, colegas, gente da minha idade que
parece saber viver melhor do que eu. Todo mundo parece feliz, enquanto eu...
—
Comparação rouba a identidade. Ela faz você esquecer que cada pessoa carrega
uma história invisível. Nem toda demonstração de alegria é verdadeira. Em
muitos casos, é só um escape ou o ato de fingir que tá tudo bem.
—
Na escola eu me sinto deslocada. Não sofro nada explícito, mas também não
pertenço a lugar nenhum. Os professores têm seus alunos preferidos, nos quais
não me incluo. No início até me esforçava pra ser notada, mas hoje tanto faz.
Só marco presença.
—
A exclusão silenciosa dói mais porque não deixa marcas visíveis, só internas.
—
Meus amigos foram se afastando. Não brigamos, não discutimos. Só pararam de me
procurar. Talvez por culpa minha, por eu ser, pra eles, alguém insignificante,
sem importância, desnecessária.
—
Muita gente some porque não sabe lidar com profundidade. Isso fala mais sobre
elas do que sobre você. Tem pessoa que é uma bênção quando se afasta.
—
Eu comecei a achar que sou difícil de amar. Que quem fica perto de mim cansa,
antes mesmo de me conhecer ou por ter me conhecido… sei lá.
—
Isso acontece quando você aprende a se responsabilizar pelos sentimentos dos
outros, mesmo sem ter culpa. Você já tem os seus próprios problemas, por que
ainda tenta resolver os problemas dos outros?
—
Em casa, quando tento falar, escuto que é drama, que é fase, que eu preciso ser
forte, que com o tempo tudo vai melhorar.
—
Frases assim fecham portas. Elas ensinam que vulnerabilidade não é bem-vinda.
—
Então eu sorrio. Faço piada. Finjo que tá tudo bem pra não preocupar ninguém.
Ou seja, minha vida acaba sendo uma farsa, e eu tô começando a ficar cansada
disso.
—
Esse sorriso é uma armadura. Só que armaduras também pesam e machucam com o
tempo.
—
Tem dias que me tranco no quarto e fico pensando se alguém sentiria minha falta
de verdade. E chego à triste resposta de que parece que pouco importa se eu tô
ali ou não.
—
Esse pensamento é um pedido de validação, não de desaparecimento. Ele pergunta:
“Eu importo?”. Mas talvez a pergunta certa seja: “Eu me importo comigo mesma?”.
—
Eu não quero desistir de tudo… eu só não sei mais como viver desse jeito. Tô
chegando no meu limite e ninguém tá percebendo. Tô sozinha nessa caminhada.
—
E não desistir é fundamental, é o primeiro passo. Quem não sabe mais como
viver, provavelmente ainda quer — e pode — aprender. A solidão, em muitos
momentos, pode até ser companhia, mas não pode virar mestre. Não deixa ela
dominar teus pensamentos.
—
Eu sinto uma pressão enorme pra dar certo, pra compensar tudo, pra provar que
não sou um problema. Mas, ao mesmo tempo, o sentimento de estar falhando me
domina.
—
Ninguém deveria viver tentando se justificar o tempo todo. Você não precisa
provar que merece existir. Conquiste seu espaço com calma e persistência. O
“não” sempre vai aparecer no caminho. Tenta entender por que ele tá ali. Às
vezes, não é um obstáculo, é só um aviso pra mudar de direção.
—
Às vezes meu corpo reage antes de mim. Falta ar, o coração dispara, a cabeça
não para. Parece que joguei todos os meus sonhos e sentimentos dentro de um
liquidificador.
—
Isso é ansiedade. É o corpo gritando o que a boca não conseguiu dizer. Tenta se
acalmar e falar, mesmo que saia tudo torto. Gagueja, se precisar. Alguém vai te
escutar.
—
Eu tenho vergonha de pedir ajuda. Parece que vou decepcionar ainda mais. Fico
pensando que as pessoas esperam muito mais de mim e que eu só vou conseguir
decepcioná-las.
—
Pedir ajuda não decepciona. O que machuca é sofrer em silêncio por medo do
julgamento. Não dá esse poder pra ninguém. Se valoriza.
—
Eu fico confusa, sem saber se o problema sou eu ou o mundo. Tenho medo de saber
a verdade.
—
Às vezes o mundo falha, e a gente internaliza essa falha achando que é defeito
nosso, quando, na verdade, somos só parte de algo maior, fora do nosso
controle.
—
Você acha mesmo que eu ainda posso ficar bem? Que dá pra reverter isso?
—
Eu acredito. Porque você tá pensando, se questionando e falando, mesmo quando
muita gente não escuta. Isso já é força, mesmo que você não enxergue agora.
Continua. Não para no meio do caminho.
—
Mas e se nada mudar?
—
Muda quando você para de se atacar e começa a se tratar como trataria alguém
que você ama. Primeiro se ame. Depois, deixa os outros te amarem.
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Muitos
jovens vivem conflitos silenciosos dentro de casa e dentro de si, aprendendo a
se calar para não incomodar. Isso gera culpa, ansiedade e aquela falsa sensação
de ser um peso para o mundo.
Esses
pensamentos não definem quem a pessoa é. Eles só mostram o quanto ela está
carente de escuta, cuidado e orientação. Dor ignorada cresce; dor acolhida
encontra caminho.
A
verdade é simples: ninguém foi feito para atravessar a vida sozinho. Falar,
pedir ajuda e se permitir existir sem culpa é um ato de coragem. Toda vida tem
valor, mesmo quando a própria pessoa esquece disso por um tempo.
Não
se isole. Se você sentir que não estão te escutando, grita, gesticula, bate na
mesa. Se for preciso, procura em outro lugar alguém que te ouça. Sempre existe
alguém disposto a escutar — às vezes, a gente só está falando com as pessoas
erradas.
Não desista de você. Você é importante para alguém. Talvez só não tenha olhado ainda na direção certa.
Não se abandone! Alguém ainda precisa de você.
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Pais, amigos, gente próxima: nem toda dor faz barulho. Às vezes ela mora no quarto fechado, no sorriso forçado, no “tá tudo bem” dito rápido demais. Muitos jovens não sabem pedir ajuda, porque aprenderam que sentir é exagero, que falar é drama, que chorar incomoda. Preste atenção nos silêncios, nas mudanças de humor, no isolamento que cresce devagar. Perguntar de verdade, escutar sem corrigir, sentar do lado sem julgar pode ser a diferença entre alguém se sentir invisível ou finalmente visto.
Amigos, não subestimem o poder da presença. Não é preciso ter respostas prontas, nem discursos longos. Às vezes basta ficar, mandar mensagem, convidar pra dar uma volta, lembrar que a pessoa importa. Quando você some, mesmo sem querer, o outro pode entender como confirmação do pior medo: “eu não faço falta”. Seja aquele que fica, que insiste, que chama de novo. Laços antigos, simples, como sempre foram, ainda salvam corações.
Pais, o tempo passa rápido e a dor não espera. Frases duras, comparações e cobranças excessivas deixam marcas que não aparecem no boletim nem no comportamento imediato. Amor também é escuta, é paciência, é aprender a perguntar “como você tá?” e aguentar a resposta. Porque depois pode ser tarde, e ninguém quer descobrir o tamanho do silêncio quando já não há mais voz. Cuidar agora é um ato de amor que pode durar uma vida inteira.

Bem isso Mesmo..🤟
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