sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A borracha só morre devido aos nossos erros.

 

A oficina já estava aberta fazia tempo. O cheiro de graxa misturado ao café recém-passado parecia fazer parte das paredes. Um rádio antigo tocava uma moda de viola baixinho, enquanto chaves e martelos produziam uma música própria.

O jovem aprendiz estava debruçado sobre um motor desmontado. Fazia força para encaixar uma peça, mas, depois de alguns minutos, percebeu que havia montado tudo na posição errada.

— Ah, não... de novo!

Ele tirou a peça com cuidado, respirou fundo e passou a mão no rosto, deixando uma faixa escura de graxa na testa.

— Acho que eu nasci para fazer besteira.

O mecânico, que organizava algumas ferramentas do outro lado da oficina, ouviu o desabafo e caminhou devagar até o rapaz.

— Já terminou de reclamar ou ainda falta mais um pouquinho?

domingo, 2 de agosto de 2026

Ouça seu corpo; muitas vezes ele é mais sábio que sua cabeça.

 

Naquele dia, os alunos estavam retornando das férias. Era o início do segundo semestre. Para recepcioná-los, a escola convidou a Dra. Silvana, médica conceituada na cidade, para uma palestra sobre a importância dos cuidados com a saúde. Dra. Silvana deixou suas coisas sobre uma mesa que estava no palco e se dirigiu aos alunos.

— Bom dia, pessoal! Antes de começarmos, quero que vocês guardem uma frase para o resto da vida: "Ouça seu corpo; muitas vezes ele é mais sábio que sua cabeça."

Os alunos se entreolharam. Alguns sorriram, outros ajeitaram a mochila na cadeira e um ou outro já parecia pensar no recreio. A médica percebeu a cena e abriu um sorriso divertido.

— Eu sei o que vocês estão pensando. "Lá vem mais uma palestra dizendo para comer salada e dormir cedo." Mas prometo que hoje ninguém vai sair daqui traumatizado por causa de um brócolis.

Uma risada tomou conta da sala. O ambiente ficou mais leve, e até quem estava distraído resolveu prestar atenção.

— Deixa eu fazer uma pergunta. Quem aqui já sentiu uma dor e falou: "Ah, daqui a pouco passa"?

domingo, 26 de julho de 2026

O Amor de Avô Não se Divide, se Multiplica.

 

A tarde de domingo estava daquelas que pareciam feitas para guardar na memória. Depois do almoço, o cheiro de café recém passado se misturava ao perfume das flores do jardim. Debaixo da velha goiabeira, o avô descansava em sua cadeira de balanço, enquanto observava o quintal. Laura, de 11 anos, Helena, de 13, e Miguel, de 15, se aproximaram sorrindo. Era Dia dos Avós, e os três tinham decidido que aquele seria um momento só deles.

— Vovô, hoje a gente resolveu conversar com o senhor sem deixar escapar nenhuma história.

— Então vou logo avisando... minha memória é boa, mas às vezes ela coloca um temperinho a mais nas lembranças.

— A mamãe chama isso de aumentar a história.

— Eu prefiro dizer que deixo a história mais divertida.

Os três caíram na risada.

— Hoje é o Dia dos Avós. O senhor gosta dessa data?

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Eu amo meus amigos!


Dois amigos, Luiz e Eduardo, estavam tomando um café na tenda do seu Manoel, quando Luiz quebra o silêncio. 

— Sabe de uma coisa? Tem um ditado que eu nunca concordei muito.

— Qual deles?

— Aquele que diz que a gente tem que guardar os amigos debaixo de sete chaves.

— Ué... Mas esse ditado não quer dizer que devemos cuidar deles?

sexta-feira, 10 de julho de 2026

E Agora, Qual Caminho?

 

O último sinal tocou, encerrando mais um ano aula na escola. Os corredores estavam cheios de abraços, risadas, promessas de reencontros e aquele silêncio escondido dentro de cada um, típico de quem percebe que uma fase importante da vida está chegando ao fim. Enquanto muitos comemoravam o encerramento do terceiro ano do ensino médio, outros já sentiam o peso da pergunta que parecia não sair da cabeça: "E agora?"

— Você já decidiu qual faculdade vai fazer? — perguntou Lucas, caminhando devagar ao lado de Marina enquanto os dois atravessavam o pátio da escola.

— Se eu disser que já, vou estar mentindo. Tem dia que penso em Psicologia, no outro penso em Medicina Veterinária. Depois aparece outra ideia e bagunça tudo de novo. Parece que quanto mais eu penso, mais difícil fica escolher.

domingo, 5 de julho de 2026

Síndrome do Pânico: o inimigo invisível que muitos não veem ou não entendem.


            Era fim de tarde quando os amigos, Lara e Miguel, saíram do trabalho e sentaram no banco da praça. O céu estava ficando alaranjado, mas Lara parecia distante. Fazia alguns dias que ela vinha evitando companhias, recusando convites e dizendo que estava “estranha”. Miguel percebeu que algo estava errado e decidiu perguntar com calma, sem pressão.

— Você anda quieta faz tempo. Aconteceu alguma coisa?

— Eu nem sei explicar direito. Parece que meu coração dispara do nada. Fico com falta de ar, tremendo, achando que vou desmaiar.

— Isso acontece em momentos específicos?

— Às vezes no ônibus, no trabalho, no mercado. Teve um dia em que eu estava fazendo compras e começou de repente. Achei que estava tendo um problema grave.

— Você contou isso para alguém da sua família?

domingo, 21 de junho de 2026

O Silêncio Também Ensina

 

O restante da manhã transcorreu sem que Eiranthos pronunciasse mais nenhuma palavra. Lyra caminhava ao seu lado, tentando entender se aquele silêncio fazia parte de algum novo ensinamento ou se o Mago simplesmente havia decidido encerrar a conversa.

A princípio, aquilo a incomodou. Havia atravessado a floresta imaginando que encontraria respostas para todas as perguntas que carregava desde a infância. Em vez disso, encontrara um homem que fazia perguntas e passava longos minutos em absoluto silêncio.

Depois de algum tempo, já não sabia se deveria falar ou apenas continuar caminhando. Foi quando Eiranthos parou diante de um pequeno lago. A água era tão calma que refletia cada nuvem do céu com perfeição. Nenhuma folha tocava sua superfície. Nenhum inseto a perturbava. Parecia um espelho.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Feliz Dia dos Enamorados!


Caio e Lara namoravam há uns três anos e todos comentavam do carinho e amor que um demonstrava ao outro. Naquela sexta-feira, 12 de junho, não era diferente. Os dois estavam juntos, jantando no Restaurante Família Zanatta, no Jantar dos Namorados, promovido pelo restaurante.

— Então, mais um Dia dos Namorados juntos. Gostou do jantar? — perguntou Lara, mexendo no cafezinho que o garçom trouxera, e observando outros casais sentados próximos a eles.

— Especial como sempre… mas, em relação a este dia, eu gosto mais de pensar como Dia dos Enamorados — respondeu Caio. — Parece mais bonito, mais verdadeiro.

— Dia dos Enamorados? — ela sorriu. — Como assim? Explica isso melhor.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Algumas pessoas são como anúncios no meio dos vídeos. Clique em pular.

 

A praça estava mergulhada naquela tranquilidade que só o início da noite consegue trazer. O céu ainda guardava algumas pinceladas alaranjadas do pôr do sol, enquanto os primeiros postes começavam a iluminar os caminhos de pedra. O cheiro de pipoca vindo de um carrinho próximo se misturava ao perfume das árvores antigas que cercavam o lugar. Algumas pessoas caminhavam sem pressa, outras conversavam nos bancos espalhados pela praça. Em um dos cantos mais silenciosos, sentado ao lado do avô Augusto, Lucas observava o movimento da cidade desacelerar. Havia algo em sua expressão que denunciava um incômodo guardado há dias.

— Vô, o senhor já conheceu alguém que parecia ter uma missão na vida: irritar os outros?

— Conheci vários. Alguns até eram especialistas no assunto. Sabiam ser inconvenientes como ninguém.

— Estou falando sério, vô.

— Eu também, Luquinhas.

Lucas soltou uma risada curta.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco!

 

Segunda-feira à tarde, aquela turminha do 5º ano, com idades entre 10 e 11 anos, estava meio inquieta e um pouco barulhenta, todos conversavam ao mesmo tempo, tentando contar como foi o seu fim de semana. Era a última aula daquela tarde. Quando o professor Carlos entrou na sala, carregando um objeto estranho, todos silenciaram, em respeito ao professor e, também, pela curiosidade, ao ver o senhor Carlos carregando uma gaiola de passarinho. Não tinha passarinho dentro, mas só aquilo já chamou a atenção da turma inteira. As crianças ficaram olhando, curiosas, tentando adivinhar o que vinha pela frente.

— Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma frase muito interessante — disse ele, colocando a gaiola sobre a mesa. — “Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco.”

— Mas professor… passarinho nasceu para voar! — respondeu Lucas, franzindo a testa.

— Exatamente. E é aí que essa frase fica importante — falou o professor, sorrindo. — Imagina um passarinho que passou a vida toda preso. Ele nunca viu o céu de perto. Se quer sentiu o vento nas asas. Nunca voou. Só via a grade da gaiola à sua frente e até a comida era dada por um ser humano.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Você não precisa cortar uma flor para provar que é um jardineiro.

 

Era um dia de semana qualquer, ensolarado, mas com um vento teimoso que varria as ruas. O avô e sua neta, de apenas 11 anos, estavam conversando durante o almoço naquele restaurante chique da cidade, o Família Zanatta. Como ainda era cedo, o restaurante recém havia aberto as portas, com poucas pessoas no local, o que dava uma certa tranquilidade para uma conversa entre Avô e Neta.

— Vô, por que o senhor ficou olhando aquela flor ali na entrada por tanto tempo?

— Porque ela está bonita do jeitinho dela. Tem coisa na vida que a gente estraga quando tenta possuir.

— Ih... já começou com as frases misteriosas de velho sábio.

— E você já começou com suas perguntas de neta curiosa.

— Tá, mas sério. O senhor ficou olhando pra flor como se ela tivesse contado um segredo.

— Talvez tenha contado mesmo.

— E posso saber qual foi?

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O SABER NUNCA É DEMAIS. APRENDA SEMPRE!

 

Numa tarde abafada de sábado, uma pequena biblioteca comunitária estava cheia de cadeiras de plástico espalhadas em círculo. No canto, um ventilador velho fazia mais barulho do que vento. Alguns jovens mexiam no celular, outros conversavam baixinho, até que o palestrante subiu num pequeno palco improvisado feito de pallets de madeira.

— Boa tarde, pessoal. Antes da gente começar, quero fazer uma pergunta simples: quem aqui acha que uma pessoa precisa saber tudo sobre aquilo que faz?

— Ah… acho que ninguém sabe tudo, né? — respondeu Lucas, sentado lá no fundo, com um boné virado para trás.

— Ainda bem que você falou isso. Porque o problema não é não saber tudo. O problema é achar que não precisa mais aprender. Tem gente que aprende uma coisinha, ganha um trocado com aquilo e pronto… estaciona igual carro abandonado na rua.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Nem Todo Gênio Tira 10

 

Era um fim de tarde chuvoso. Vários pais e mães se encontraram na pequena sala de aula da escola pública do bairro. Era dia de entregar os boletins, e isso deixava o clima ali bem tenso. O Professor Henrique deu uma pigarreada antes de começar, olhando para os pais com um sorriso meio tímido, meio corajoso, como quem sabe que o que vai falar vai tocar o coração de todo mundo ali.

— Meus caros pais…, — ele começou, segurando um papel que já estava meio amassado, — eu sei que vocês estão cheios de expectativa. As fichas de avaliação estão aqui, bem na nossa frente… e, sim, dá um friozinho na barriga.

Uma mãe, que estava na primeira fileira, cruzou os braços e soltou um suspiro baixinho.

— Que friozinho o quê, professor… isso aqui é para testar o coração.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

De pouco adianta se enfeitar por fora, se você não se arrumar por dentro.

 


Carla e Juliana estavam sentadas na área externa de uma cafeteria, no centro da cidade, tomando um milk shake para espantar o calor de quase 30 graus. Aproveitavam para analisar as pessoas que circulavam pela calçada

— Ju… posso te falar uma coisa meio aleatória?

— Lá vem a Carla filósofa… manda.

— Eu tava olhando esse pessoal passando e fiquei pensando… não adianta nada a pessoa parecer incrível por fora e estar toda bagunçada por dentro.

— Ué, Carla, mas todo mundo liga primeiro pro que vê, né?

— Liga…, só até conhecer de verdade. Depois, o que importa mesmo, é o que a pessoa é por dentro.

— Então tu acha que aparência não importa?

— Importa sim…, mas não sustenta nada sozinha. É tipo capa bonita de um livro, entretanto, a história é totalmente vazia.

sábado, 14 de março de 2026

Nós não tínhamos celular... mas temos histórias para contar.


Era mais um daqueles domingos com almoço que reunia a família na casa do seu Zé. Seu Zé estava sentado à sombra de uma laranjeira, quando seus netos o cercaram para ouvir suas histórias.

— Vô, é verdade que o senhor ia pra escola caminhando e que levava um tempão? — perguntou um dos netos, arregalando os olhos, como quem acha impossível alguém sobreviver sem carro, ônibus ou internet.
— Verdade sim, Pedrinho. Eu nasci e cresci lá em São Leopoldo, estudei em escola pública. Naquele tempo, eu deveria ter uns 9/10 anos, a gente acordava cedo, se arrumava sozinho e pegava a estrada a pé. Do bairro Rio dos Sinos até a Escola Gusmão Brito, lá no bairro Rio Branco, dava uns quarenta minutos de caminhada fácil.

domingo, 8 de março de 2026

Mulheres: Silenciosamente Gigantes

 


         Sabe...tem gente que ainda pergunta qual é o verdadeiro lugar da mulher no mundo. E eu sempre penso que essa pergunta já nasce errada, pois a verdade é simples: não existe lugar em que a presença de uma mulher não faça diferença.

Onde há uma mulher, aí tem cuidado. Tem olhar atento, com aquela sensibilidade quase mágica de perceber quando alguém está bem...e. acima de tudo, quando alguém está com algum problema ou desconforto.

A mulher é aquela presença que, muitas vezes, segura o mundo inteiro sem fazer barulho. Sem aplausos. Sem plateia.

Às vezes, é mãe. Às vezes, filha. Às vezes, irmã.

E, muitas vezes, tudo isso ao mesmo tempo, tentando equilibrar a vida como quem mantém vários pratos girando no ar, torcendo para que nenhum caia.

quinta-feira, 5 de março de 2026

O silêncio nem sempre é vazio, às vezes, ele está cheio de respostas.

 


Pedro e Júlio, dois amigos de 15 anos que moravam na mesma rua, estavam sentados em um banco, na beira do campinho, esperando os outros meninos para jogar bola quando, do nada, Pedro quebra o silêncio que já durava uns 10 minutos.

— Mano, já sacou como o silêncio às vezes é sinistro? Tipo quando o professor entra e a galera trava geral, a galera vira estátua.

— É verdade. Cinco segundos antes tava geral falando, rindo, zuando… aí o cara entra e puf: silêncio total.

— Bizarro, né? Mas, mesmo no silêncio, minha mente não para.

— Pô, comigo também. Parece que o silêncio de fora vira um monte de ideia gritando na cabeça.

— Tipo ontem tentando dormir. Comecei a pensar na prova, no futuro, se fiz a escolha certa… até no drible que vou te dar no jogo de hoje, antes de fazer o gol. Kkkkk

— Acho que tu tava era sonhando. Kkk Mas sério! É bizarro, as respostas pintam nessa hora.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Use a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.

 


— Já pensou em como a vida faz um barulhão?

— Que tipo de barulho?

— Ah, sei lá...as pessoas, os sonhos, cada um com sua mania e tal. É tipo uma música gigante rolando sem parar.

— Que engraçado você falar isso, sabia? Porque, às vezes, fico tão prrocupado em ser o cara que esqueço de viver.

— Acontece direto! A gente pira querendo ser o tal melhor e nem vê que cada um tem seu jeito de ser, entende?

— Tipo quando geral quer cantar igual, mas cada voz é única?

— Exato! Imagina uma floresta lotada de passarinhos... cada um com seu canto esquisito, um mais alto, outro mais baixo... mas todos mandando ver.

— É verdade... ia ser muito esquisito se só um ou nenhum passarinho cantasse, né?

— Não só esquisito. Ia ser um silêncio sinistro, um vazio. Uma floresta sem vida.

— Então, você acha que a vida é tipo isso também?

— Não acho, tenho certeza. Cada um tem sua canção, mesmo que ainda não tenha se ligado nisso.

— É que, às vezes, a gente ouve tanto os outros que acha que nossa voz é mixuruca.

— Aí que tá o erro. Não existe voz inútil quando é de verdade.

— Mas e quando nossa canção parece muito nada a ver com a dos outros?

— Aí que ela brilha mais! O legal não é ser todo mundo igual, mas cada um ser do seu jeito.

— Faz sentido... tipo uma banda. Se todo mundo tocar a mesma coisa, não rola um som completo.

— Isso! A música só fica boa porque cada um bota seu toque, mesmo que pareça simples.

— Mas, falando sério, às vezes me sinto meio nada a ver, tipo uma nota bem baixinha na música do mundo.

— E quem disse que nota baixa não faz falta? Já ouviu música sem as partes calmas? Fica sem graça. Pode ser um simples sininho na mão de um músico, na hora certa ele irá dar o charme que a música precisa.

— Nunca pensei nisso...

— A real é que cada um tem seus talentos, paradas que ninguém mais faz igual.

— Mesmo que sejam coisas bobas?

— Principalmente as bobas. Juntas, elas fazem um baita estrago.

— Então, não é sobre ser melhor que ninguém?

— Nunca foi. É sobre ser você, sem copiar o canto de outro passarinho. Quem vive imitando os outros, ficará limitado ao caminho que ele escolher.

— Caraca... isso pegou forte, viu? Vivo me comparando com os outros.

— Se comparar é tipo esquecer sua música e tentar cantar a dos outros. Pode até fazer sucesso, entretanto, é o original que sempre será lembrado. No fim, ninguém te ouve de verdade.

— E quando a gente se fecha por medo?

— Aí acontece o pior: sua vida fica sem som por dentro.

— Sem som... tipo quando a gente esconde o que sabe, com medo de errar?

— Exato. E errar faz parte da música e da vida. Nenhum passarinho nasce afinado, aprende cantando.

— Então, é melhor cantar meio zoado do que não cantar nada?

— Mil vezes melhor. O silêncio pesa muito mais que qualquer erro. Você precisa ouvir sua própria voz, só assim poderá corrigir as possíveis falhas. 

— Que louco... sempre achei que tinha que ser perfeito antes de mostrar o que sei fazer.

— Ser perfeito é uma cilada, te impede de viver.

— E a mistura? Você acha que é importante mesmo?

— Demais! Ouvindo outras histórias, outros jeitos, a gente acha notas diferentes dentro de nós. Aprendemos a compor nossas próprias canções. 

— Tipo aprender com os outros passarinhos da vida?

— Isso! Cada pessoa que cruza nosso caminho ensina uma música, mesmo sem querer.

— Então, no fundo, ninguém tá sozinho nessa orquestra?

— Nunca estivemos. A gente só se sente sozinho quando se fecha demais ou quando achamos que já sabemos tudo e que não precisamos mais participar dos ensaios.

— E se alguém acha que não tem talento nenhum?

— Diria que essa pessoa ainda não ouviu sua voz com a devida atenção.

— Que forte isso... às vezes, a gente ignora o que tem de bom por ser muito simples.

— Mas o simples, quando é real, vira algo poderoso.

— Então, o segredo é usar o que a gente tem, mesmo que pareça pouco?

— Exato! O pouco de cada um vira algo gigante. Nenhum cantor, por exemplo, faz sucesso sozinho, ele precisa dos músicos, de um compositor, de um produtor, de um empresário... Ele tem de se cercar de uma equipe para apoiá-lo. 

— E ser diferente não é ruim?

— Pelo contrário! Dá cor à vida.

— Sabe... tô começando a entender que não preciso ser o melhor em nada.

— Não precisa mesmo. Só ser você de verdade.

— E cantar minha música, mesmo que ninguém bata palma?

— Principalmente quando ninguém bater. Aí é sua essência falando, não o que os outros querem.

— Dá um medinho... mas também dá uma paz.

— Essa é a paz: parar de imitar e viver de verdade. Não se limitar ao caminho dos outros

— Então, no fim das contas, a vida é tipo uma grande orquestra, né?

— É sim. E cada um de nós é um instrumento que faz falta na harmonia dessa orquestra .

— Que legal isso... me faz sentir que tenho meu lugar.

— E tem. Sempre teve. Desde o começo.

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Moral da história? Não existe canto sem graça quando é de coração, e não existe vida boa quando a gente se esconde.

O mais legal da vida não é ser o melhor, mas ser sincero, botando para fora o que já vive dentro de nós, mesmo que pareça pouco.

No fim, quando cada um decide cantar sua música sem medo, a vida vira uma música inesquecível.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

No fundo, você sabe o que precisa fazer. Você só não faz.

 


Luiz, 23 anos, chega em casa depois do trabalho e vê seu irmão mais novo, Carlos, 15 anos, jogado no sofá, jogando vídeo game. E isso tem se repetido há vários dias. Vendo que seu irmão não sai dessa zona de conforto, não toma nenhuma iniciativa na busca de conquistar alguma coisa na vida, Luiz tenta, mais uma vez, conversar com Carlos.

— Cara, vou te falar uma coisa que talvez tu não vai gostar de ouvir.

— Eu sei… lá vem sermão.

— Não é sermão. É só a verdade nua e crua: no fundo, tu sabe exatamente o que precisa fazer. Só não faz. Fica aí o tempo todo nesse vídeo game.

— Eu sei, eu sei… mas saber não é a mesma coisa que fazer.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PÍLULAS DE MOTIVAÇÃO

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