domingo, 20 de setembro de 2026

Que sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.


Sob o céu do Rio Grande, em setembro a brilhar,
O orgulho gaúcho, tradição a exaltar,
No vigésimo dia, a alma se revigora,
Chimarrão em mãos, amizade que aflora.

Nas rodas de prosa, na sombra do galpão,
A hospitalidade é nossa tradição,
20 de setembro, símbolo de união,
No coração do gaúcho, eterna paixão.

Cavalos a galope, campos a perder de vista,
No chão gaúcho, a história é bem escrita,
Valor e coragem, legado que se ergue,
No 20 de setembro, orgulho que nos segue.

Neste chão sulista, onde o amor resplandece,
Ser gaúcho é honrar o que a terra oferece,
No 20 de setembro, cantamos com fervor,
A garra gaúcha, eterno e fiel amor.

Pedro Teixeira
Teicheira - Motorista Particular




sábado, 19 de setembro de 2026

Quando a gente cresce, alguns lugares ficam pequenos.


             A professora Márcia entrou na sala para dar a última aula da daquela manhã. Como sempre, encontrou uma mistura de conversa, risada, cadeira arrastando e aquele barulho de quem já estava com a cabeça do lado de fora da escola.

Ela colocou os livros sobre a mesa, olhou para a turma e esperou. Ninguém percebeu. Ela esperou mais um pouco.

— Gente... Pessoal!

Lucas, lá do fundo, levantou a cabeça.

— Oi, professora.

— Obrigada. Pelo menos um ouviu.

Alguns riram.

— Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma coisa que parece meio boba, mas não é.

Mariana, que estava mexendo no estojo, olhou para a professora.

— Vai cair na prova?

— Não.

— Então sou toda ouvidos.

A sala riu de novo.

A professora balançou a cabeça, sorrindo.

— Vocês são impossíveis. Vamos lá. Já aconteceu com vocês de estar num lugar e sentir que... sei lá... parece que vocês não pertencem mais àquele lugar?

Alguns se entreolharam.

— Tipo onde? — perguntou João.

— Qualquer lugar. Escola, grupo de amigos, algum ambiente que vocês frequentavam...

— Minha família quando começa a falar de política — disse Lucas.

— Lucas, eu estou falando sério.

— Eu também.

Mais risadas.

— Tá. Família pode entrar na lista — disse a professora. — Mas não era exatamente isso que eu tinha em mente.

Mariana levantou a mão.

— Acho que eu já senti isso com minhas amigas.

A professora se virou para ela.

— Como?

— Ah, não sei explicar direito. Antes a gente ficava juntas o tempo todo. Agora parece que cada uma foi para um lado. Quando eu estou com elas, às vezes fico pensando: "O que eu estou fazendo aqui?"

— E elas mudaram ou você mudou?

Mariana deu de ombros.

— Acho que todo mundo mudou.

— Pois é.

A professora caminhou devagar entre as carteiras.

— E isso acontece mais do que vocês imaginam. Só que, quando acontece, a gente costuma achar que tem alguma coisa errada com a gente.

— Ou com os outros — completou João.

— Também.

— Eu acho mais fácil colocar a culpa nos outros — disse Lucas.

— Claro que acha.

— Estou sendo sincero.

— Pior que eu sei.

A professora parou perto da janela.

— O problema é que a gente muda. Mesmo quando não percebe. Aprende coisas novas, conhece pessoas diferentes, começa a pensar de outro jeito. E chega uma hora em que alguma coisa que antes parecia perfeita já não funciona do mesmo jeito.

— Tipo quando a roupa fica pequena? — perguntou Ana.

— Exatamente. Só que, nesse caso, não é a roupa.

— Ainda bem — disse Lucas. — Porque não tenho grana pra comprar roupa nova.

A professora riu.

— Pode ser uma amizade. Pode ser uma rotina. Pode ser uma maneira de pensar. Até um sonho.

A sala ficou um pouco mais quieta.

— Um sonho? — perguntou Mariana.

— Sim. Às vezes, quando vocês são mais novos, imaginam que vão ser uma determinada coisa. Depois descobrem outras possibilidades. E percebem que aquilo já não combina tanto com vocês.

— Mas aí a pessoa desiste?

— Não necessariamente. Essa é uma parte importante. Sentir desconforto não significa automaticamente que você precisa abandonar tudo.

— Ah.

— Pode ser que você esteja crescendo. Mas pode ser também que esteja cansado, inseguro, com medo ou simplesmente passando por uma fase ruim.

João levantou a mão.

— Então como é que a gente sabe a diferença?

A professora ficou alguns segundos pensando.

— Boa pergunta. E eu não tenho uma resposta que sirva para todo mundo.

Alguns alunos olharam para ela, surpresos.

— Não tem?

— Não. E quem disser que tem, desconfie.

A turma riu.

— O que dá para fazer é prestar atenção. Quando alguma coisa começa a incomodar, em vez de sair tomando decisão no impulso, tenta entender o que está acontecendo.

— Tipo pensar: "Por que isso está me irritando?" — perguntou Ana.

— Isso.

— E se a resposta for "porque eu não gosto mais"?

— Já é alguma coisa. Mas ainda falta perguntar por quê.

Lucas levantou a mão.

— Professora, se eu fizer isso toda vez que alguma coisa me irritar, vou passar o dia inteiro pensando.

— Nesse caso, você tem um problema diferente.

A turma caiu na risada.

— Estou falando sério! — Lucas reclamou, rindo também.

— Eu sei. Não precisa analisar absolutamente tudo. Provavelmente você fica acordado até tarde jogando e só está com sono.

— Isso eu tenho bastante — disse João.

— Nós percebemos. Às vezes, tenho que chamar teu nome duas ou três vezes para te acordar.

Toda a turma riu. A professora voltou para a frente da sala.

— O que eu quero que vocês entendam é que crescer não é apenas ficar mais velho. É começar a perceber certas coisas.

Ela fez uma pausa.

— Uma coisa que vocês achavam normal pode começar a incomodar. Uma conversa que antes fazia vocês rirem pode não ter mais graça. Um grupo em que vocês se sentiam à vontade pode começar a parecer estranho.

Mariana mexeu na caneta.

— E dá uma sensação ruim. Às vezes parece que a gente ficou chato. Ou que está sobrando.

A professora concordou.

— Acontece. E é aí que muita gente tenta voltar a ser quem era só para continuar cabendo naquele lugar e agradar aos outros.

Ninguém falou nada por alguns segundos.

— Só que não dá — disse a professora.

— Por quê?

— Porque você evoluiu. Já viveu, cresceu. Já mudou algumas coisas por dentro. Não dá para simplesmente apertar um botão e voltar ao começo.

— Bem que podia. Ia facilitar algumas provas — disse Lucas.

A sala riu. A professora também.

— Mas não funciona assim.

Mariana perguntou:

— E se a pessoa sentir saudade de como era antes?

— Pode sentir. Isso é completamente normal.

— Mesmo sabendo que não quer voltar?

— Principalmente nesse caso.

— Como assim?

— Porque sentir saudade não significa necessariamente querer a mesma vida de antes. Às vezes você sente falta de uma época, de uma pessoa, de uma rotina, de uma versão sua que existia antes. Isso não quer dizer que precisa voltar para lá.

João ficou pensativo.

— Então dá para sentir falta e continuar andando?

— Dá. E acontece bastante.

A professora pegou um pedaço de giz e escreveu no quadro:

"Será que eu cresci?"

— Quando alguma coisa começar a incomodar vocês, talvez valha fazer essa pergunta.

Ana olhou para o quadro.

— Mas sem achar que toda coisa ruim é sinal de crescimento.

— Isso. Muito importante.

A professora apontou para a turma.

— Às vezes o problema é o lugar. Às vezes somos nós. Às vezes são os dois. E, às vezes, não tem problema nenhum: você só teve um dia péssimo.

— Hoje eu tive — disse Lucas lá do fundo.

— E ainda nem chegamos na metade do dia — respondeu a professora.

Mais risadas. Ela esperou a turma se acalmar.

— Vocês estão numa idade em que muita coisa vai mudar. Amizades, interesses, planos, opiniões... algumas coisas vão continuar, outras não. E vocês não precisam ter tudo resolvido agora.

Mariana perguntou:

— Então não tem problema mudar de ideia?

— Nenhum. O problema seria achar que você precisa continuar fazendo alguma coisa só porque um dia escolheu aquilo.

João concordou com a cabeça.

— Tipo escolher uma profissão?

— Também.

— Ainda bem — disse Lucas. — Porque eu já mudei de ideia umas vinte vezes.

— Por que será que eu não me espanto? — disse a professora.

Alguns começaram a falar ao mesmo tempo sobre profissões que já tinham pensado em seguir. A professora deixou por alguns segundos. Depois levantou a mão.

— E tem outra coisa.

A conversa diminuiu.

— Não tentem diminuir vocês mesmos para continuar cabendo num lugar.

Mariana olhou para ela.

— Como assim?

— Se você precisa fingir que não gosta de determinada coisa, esconder o que pensa o tempo todo ou agir de um jeito que não é seu só para ser aceito, talvez seja importante prestar atenção nisso.

— Mas todo mundo muda um pouco para conviver, não muda?

— Claro. Conviver exige isso. A gente aprende a ouvir, ceder, respeitar. Uma coisa é fazer isso. Outra é passar a vida inteira se anulando.

A professora olhou novamente para o relógio.

— E não estou dizendo para vocês saírem brigando com todo mundo amanhã.

Ela apontou para o quadro.

— Quando aquele desconforto aparecer, parem um pouco e tentem descobrir o que ele está querendo dizer. Pensem nessa frase do quadro.

— E se a gente descobrir que precisa mudar?

— Aí muda. Mas com calma. Conversando com alguém de confiança, pensando nas consequências, vendo se é realmente aquilo que você quer.

Mariana olhou para o quadro mais uma vez.

— Acho que crescer é meio estranho. Porque a gente muda antes de entender do porquê que mudou.

— Agora você falou uma coisa importante.

O sinal tocou. Na mesma hora, as cadeiras começaram a se mexer. Lucas já estava de pé.

— Então o desconforto de ficar aqui mais cinco minutos significa que eu cresci?

— Não. Significa que você está com fome.

A turma explodiu em risadas. Lucas apontou para a professora.

— Sabia que a senhora tinha uma explicação!

Ela começou a juntar os livros enquanto os alunos saíam.

— Vai embora Lucas.

Mariana foi uma das últimas a deixar a sala. Antes de sair, olhou para o quadro e apagou apenas uma palavra e escreveu outra no lugar. Em vez de "Será que eu cresci?", ficou escrito: "Será que eu mudei?"

Talvez fosse uma pergunta mais simples. E talvez fosse justamente por isso que valesse a pena pensar nela mais a fundo.

Nem todo desconforto é sinal de que precisamos ir embora. Mas alguns incômodos aparecem justamente quando aquilo que antes servia para a gente já não serve mais. Perceber isso faz parte de crescer.

E crescer não significa abandonar tudo o que ficou para trás. Significa entender o que ainda faz sentido, o que precisa ser deixado e, principalmente, quem estamos nos tornando.

Porque, às vezes, o desconforto não está dizendo "você está no lugar errado". Está apenas dizendo: "preste atenção. Tem alguma coisa em você que mudou".


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Por trás de um panfleto existe um trabalhador!


Sabe aquela pessoa que está panfletando para um candidato no meio da rua, na feira, no comércio ou no sinal? Então, antes de julgá-la, lembre-se de uma coisa: ela é um ser humano e precisa trabalhar, como todo mundo.

O emprego está difícil, as coisas dentro de casa podem não estar nada fáceis e, talvez, aquele humilde trabalho de entregar panfletos tenha sido a única oportunidade que ela conseguiu durante o período da campanha eleitoral.

domingo, 23 de agosto de 2026

A felicidade é conseguir viajar pelo mundo inteiro sentado na calçada da minha rua.


            Era fim de tarde. O calor já tinha diminuído, e a rua começava a ganhar aquele movimento tranquilo de quem volta para casa depois de um dia corrido. Sentado na calçada, perto do portão, estava um senhor aparentando uns 70 anos, daqueles que parecem ter uma história guardada para cada assunto. Ao lado dele, a neta, de 11 anos, mexia no celular sem muita vontade, reclamando que não tinha nada para fazer.

— Vô, o senhor nunca teve vontade de conhecer o mundo inteiro?

— Claro que tive. E ainda tenho. Só não sei se o mundo inteiro cabe numa passagem de avião.

— Como assim? O mundo é enorme!

— Justamente. E às vezes a gente pensa que precisa ir para longe para conhecer alguma coisa interessante.

— Mas conhecer outros lugares não é importante?

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Mesmo que possa doer, na maioria das vezes vale a pena. Esqueça o medo e voe. Somente voe.


        Há momentos na vida em que a gente chega diante de uma porta e fica olhando para a maçaneta, sem saber se deve abrir. Do outro lado pode estar algo maravilhoso, mas também pode haver dificuldades, tropeços e até algumas boas histórias para contar depois. Foi numa dessas noites, enquanto pai e filho conversavam na varanda de casa, que surgiu um assunto que parecia simples, mas mexia profundamente com o rapaz de 17 anos: o medo de mudar.

— Pai, você já teve medo de mudar alguma coisa na sua vida?

— Já? Muitas vezes. Filho, eu já tive medo até de trocar de barbeiro! Imagine, então, tomar decisões importantes. O medo faz parte da gente. O problema começa quando ele passa a mandar mais do que a nossa própria vontade. E posso lhe garantir uma coisa: certas oportunidades que a gente perde doem mais do que alguns erros que cometemos.

— Acho que é isso que está acontecendo comigo. Eu penso em mudar algumas coisas, alguns planos, tentar novos caminhos, mas aí começo a imaginar tudo o que pode dar errado.

— E você também já imaginou o que pode dar certo?

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A borracha só morre devido aos nossos erros.

 

A oficina já estava aberta fazia tempo. O cheiro de graxa misturado ao café recém-passado parecia fazer parte das paredes. Um rádio antigo tocava uma moda de viola baixinho, enquanto chaves e martelos produziam uma música própria.

O jovem aprendiz estava debruçado sobre um motor desmontado. Fazia força para encaixar uma peça, mas, depois de alguns minutos, percebeu que havia montado tudo na posição errada.

— Ah, não... de novo!

Ele tirou a peça com cuidado, respirou fundo e passou a mão no rosto, deixando uma faixa escura de graxa na testa.

— Acho que eu nasci para fazer besteira.

O mecânico, que organizava algumas ferramentas do outro lado da oficina, ouviu o desabafo e caminhou devagar até o rapaz.

— Já terminou de reclamar ou ainda falta mais um pouquinho?

domingo, 2 de agosto de 2026

Ouça seu corpo; muitas vezes ele é mais sábio que sua cabeça.

 

Naquele dia, os alunos estavam retornando das férias. Era o início do segundo semestre. Para recepcioná-los, a escola convidou a Dra. Silvana, médica conceituada na cidade, para uma palestra sobre a importância dos cuidados com a saúde. Dra. Silvana deixou suas coisas sobre uma mesa que estava no palco e se dirigiu aos alunos.

— Bom dia, pessoal! Antes de começarmos, quero que vocês guardem uma frase para o resto da vida: "Ouça seu corpo; muitas vezes ele é mais sábio que sua cabeça."

Os alunos se entreolharam. Alguns sorriram, outros ajeitaram a mochila na cadeira e um ou outro já parecia pensar no recreio. A médica percebeu a cena e abriu um sorriso divertido.

— Eu sei o que vocês estão pensando. "Lá vem mais uma palestra dizendo para comer salada e dormir cedo." Mas prometo que hoje ninguém vai sair daqui traumatizado por causa de um brócolis.

Uma risada tomou conta da sala. O ambiente ficou mais leve, e até quem estava distraído resolveu prestar atenção.

— Deixa eu fazer uma pergunta. Quem aqui já sentiu uma dor e falou: "Ah, daqui a pouco passa"?

domingo, 26 de julho de 2026

O Amor de Avô Não se Divide, se Multiplica.

 

A tarde de domingo estava daquelas que pareciam feitas para guardar na memória. Depois do almoço, o cheiro de café recém passado se misturava ao perfume das flores do jardim. Debaixo da velha goiabeira, o avô descansava em sua cadeira de balanço, enquanto observava o quintal. Laura, de 11 anos, Helena, de 13, e Miguel, de 15, se aproximaram sorrindo. Era Dia dos Avós, e os três tinham decidido que aquele seria um momento só deles.

— Vovô, hoje a gente resolveu conversar com o senhor sem deixar escapar nenhuma história.

— Então vou logo avisando... minha memória é boa, mas às vezes ela coloca um temperinho a mais nas lembranças.

— A mamãe chama isso de aumentar a história.

— Eu prefiro dizer que deixo a história mais divertida.

Os três caíram na risada.

— Hoje é o Dia dos Avós. O senhor gosta dessa data?

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Eu amo meus amigos!


Dois amigos, Luiz e Eduardo, estavam tomando um café na tenda do seu Manoel, quando Luiz quebra o silêncio. 

— Sabe de uma coisa? Tem um ditado que eu nunca concordei muito.

— Qual deles?

— Aquele que diz que a gente tem que guardar os amigos debaixo de sete chaves.

— Ué... Mas esse ditado não quer dizer que devemos cuidar deles?

sexta-feira, 10 de julho de 2026

E Agora, Qual Caminho?

 

O último sinal tocou, encerrando mais um ano aula na escola. Os corredores estavam cheios de abraços, risadas, promessas de reencontros e aquele silêncio escondido dentro de cada um, típico de quem percebe que uma fase importante da vida está chegando ao fim. Enquanto muitos comemoravam o encerramento do terceiro ano do ensino médio, outros já sentiam o peso da pergunta que parecia não sair da cabeça: "E agora?"

— Você já decidiu qual faculdade vai fazer? — perguntou Lucas, caminhando devagar ao lado de Marina enquanto os dois atravessavam o pátio da escola.

— Se eu disser que já, vou estar mentindo. Tem dia que penso em Psicologia, no outro penso em Medicina Veterinária. Depois aparece outra ideia e bagunça tudo de novo. Parece que quanto mais eu penso, mais difícil fica escolher.

domingo, 5 de julho de 2026

Síndrome do Pânico: o inimigo invisível que muitos não veem ou não entendem.


            Era fim de tarde quando os amigos, Lara e Miguel, saíram do trabalho e sentaram no banco da praça. O céu estava ficando alaranjado, mas Lara parecia distante. Fazia alguns dias que ela vinha evitando companhias, recusando convites e dizendo que estava “estranha”. Miguel percebeu que algo estava errado e decidiu perguntar com calma, sem pressão.

— Você anda quieta faz tempo. Aconteceu alguma coisa?

— Eu nem sei explicar direito. Parece que meu coração dispara do nada. Fico com falta de ar, tremendo, achando que vou desmaiar.

— Isso acontece em momentos específicos?

— Às vezes no ônibus, no trabalho, no mercado. Teve um dia em que eu estava fazendo compras e começou de repente. Achei que estava tendo um problema grave.

— Você contou isso para alguém da sua família?

domingo, 21 de junho de 2026

O Silêncio Também Ensina

 

O restante da manhã transcorreu sem que Eiranthos pronunciasse mais nenhuma palavra. Lyra caminhava ao seu lado, tentando entender se aquele silêncio fazia parte de algum novo ensinamento ou se o Mago simplesmente havia decidido encerrar a conversa.

A princípio, aquilo a incomodou. Havia atravessado a floresta imaginando que encontraria respostas para todas as perguntas que carregava desde a infância. Em vez disso, encontrara um homem que fazia perguntas e passava longos minutos em absoluto silêncio.

Depois de algum tempo, já não sabia se deveria falar ou apenas continuar caminhando. Foi quando Eiranthos parou diante de um pequeno lago. A água era tão calma que refletia cada nuvem do céu com perfeição. Nenhuma folha tocava sua superfície. Nenhum inseto a perturbava. Parecia um espelho.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Feliz Dia dos Enamorados!


Caio e Lara namoravam há uns três anos e todos comentavam do carinho e amor que um demonstrava ao outro. Naquela sexta-feira, 12 de junho, não era diferente. Os dois estavam juntos, jantando no Restaurante Família Zanatta, no Jantar dos Namorados, promovido pelo restaurante.

— Então, mais um Dia dos Namorados juntos. Gostou do jantar? — perguntou Lara, mexendo no cafezinho que o garçom trouxera, e observando outros casais sentados próximos a eles.

— Especial como sempre… mas, em relação a este dia, eu gosto mais de pensar como Dia dos Enamorados — respondeu Caio. — Parece mais bonito, mais verdadeiro.

— Dia dos Enamorados? — ela sorriu. — Como assim? Explica isso melhor.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Algumas pessoas são como anúncios no meio dos vídeos. Clique em pular.

 

A praça estava mergulhada naquela tranquilidade que só o início da noite consegue trazer. O céu ainda guardava algumas pinceladas alaranjadas do pôr do sol, enquanto os primeiros postes começavam a iluminar os caminhos de pedra. O cheiro de pipoca vindo de um carrinho próximo se misturava ao perfume das árvores antigas que cercavam o lugar. Algumas pessoas caminhavam sem pressa, outras conversavam nos bancos espalhados pela praça. Em um dos cantos mais silenciosos, sentado ao lado do avô Augusto, Lucas observava o movimento da cidade desacelerar. Havia algo em sua expressão que denunciava um incômodo guardado há dias.

— Vô, o senhor já conheceu alguém que parecia ter uma missão na vida: irritar os outros?

— Conheci vários. Alguns até eram especialistas no assunto. Sabiam ser inconvenientes como ninguém.

— Estou falando sério, vô.

— Eu também, Luquinhas.

Lucas soltou uma risada curta.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco!

 

Segunda-feira à tarde, aquela turminha do 5º ano, com idades entre 10 e 11 anos, estava meio inquieta e um pouco barulhenta, todos conversavam ao mesmo tempo, tentando contar como foi o seu fim de semana. Era a última aula daquela tarde. Quando o professor Carlos entrou na sala, carregando um objeto estranho, todos silenciaram, em respeito ao professor e, também, pela curiosidade, ao ver o senhor Carlos carregando uma gaiola de passarinho. Não tinha passarinho dentro, mas só aquilo já chamou a atenção da turma inteira. As crianças ficaram olhando, curiosas, tentando adivinhar o que vinha pela frente.

— Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma frase muito interessante — disse ele, colocando a gaiola sobre a mesa. — “Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é coisa de louco.”

— Mas professor… passarinho nasceu para voar! — respondeu Lucas, franzindo a testa.

— Exatamente. E é aí que essa frase fica importante — falou o professor, sorrindo. — Imagina um passarinho que passou a vida toda preso. Ele nunca viu o céu de perto. Se quer sentiu o vento nas asas. Nunca voou. Só via a grade da gaiola à sua frente e até a comida era dada por um ser humano.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Você não precisa cortar uma flor para provar que é um jardineiro.

 

Era um dia de semana qualquer, ensolarado, mas com um vento teimoso que varria as ruas. O avô e sua neta, de apenas 11 anos, estavam conversando durante o almoço naquele restaurante chique da cidade, o Família Zanatta. Como ainda era cedo, o restaurante recém havia aberto as portas, com poucas pessoas no local, o que dava uma certa tranquilidade para uma conversa entre Avô e Neta.

— Vô, por que o senhor ficou olhando aquela flor ali na entrada por tanto tempo?

— Porque ela está bonita do jeitinho dela. Tem coisa na vida que a gente estraga quando tenta possuir.

— Ih... já começou com as frases misteriosas de velho sábio.

— E você já começou com suas perguntas de neta curiosa.

— Tá, mas sério. O senhor ficou olhando pra flor como se ela tivesse contado um segredo.

— Talvez tenha contado mesmo.

— E posso saber qual foi?

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O SABER NUNCA É DEMAIS. APRENDA SEMPRE!

 

Numa tarde abafada de sábado, uma pequena biblioteca comunitária estava cheia de cadeiras de plástico espalhadas em círculo. No canto, um ventilador velho fazia mais barulho do que vento. Alguns jovens mexiam no celular, outros conversavam baixinho, até que o palestrante subiu num pequeno palco improvisado feito de pallets de madeira.

— Boa tarde, pessoal. Antes da gente começar, quero fazer uma pergunta simples: quem aqui acha que uma pessoa precisa saber tudo sobre aquilo que faz?

— Ah… acho que ninguém sabe tudo, né? — respondeu Lucas, sentado lá no fundo, com um boné virado para trás.

— Ainda bem que você falou isso. Porque o problema não é não saber tudo. O problema é achar que não precisa mais aprender. Tem gente que aprende uma coisinha, ganha um trocado com aquilo e pronto… estaciona igual carro abandonado na rua.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Nem Todo Gênio Tira 10

 

Era um fim de tarde chuvoso. Vários pais e mães se encontraram na pequena sala de aula da escola pública do bairro. Era dia de entregar os boletins, e isso deixava o clima ali bem tenso. O Professor Henrique deu uma pigarreada antes de começar, olhando para os pais com um sorriso meio tímido, meio corajoso, como quem sabe que o que vai falar vai tocar o coração de todo mundo ali.

— Meus caros pais…, — ele começou, segurando um papel que já estava meio amassado, — eu sei que vocês estão cheios de expectativa. As fichas de avaliação estão aqui, bem na nossa frente… e, sim, dá um friozinho na barriga.

Uma mãe, que estava na primeira fileira, cruzou os braços e soltou um suspiro baixinho.

— Que friozinho o quê, professor… isso aqui é para testar o coração.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

De pouco adianta se enfeitar por fora, se você não se arrumar por dentro.

 


Carla e Juliana estavam sentadas na área externa de uma cafeteria, no centro da cidade, tomando um milk shake para espantar o calor de quase 30 graus. Aproveitavam para analisar as pessoas que circulavam pela calçada

— Ju… posso te falar uma coisa meio aleatória?

— Lá vem a Carla filósofa… manda.

— Eu tava olhando esse pessoal passando e fiquei pensando… não adianta nada a pessoa parecer incrível por fora e estar toda bagunçada por dentro.

— Ué, Carla, mas todo mundo liga primeiro pro que vê, né?

— Liga…, só até conhecer de verdade. Depois, o que importa mesmo, é o que a pessoa é por dentro.

— Então tu acha que aparência não importa?

— Importa sim…, mas não sustenta nada sozinha. É tipo capa bonita de um livro, entretanto, a história é totalmente vazia.

sábado, 14 de março de 2026

Nós não tínhamos celular... mas temos histórias para contar.


Era mais um daqueles domingos com almoço que reunia a família na casa do seu Zé. Seu Zé estava sentado à sombra de uma laranjeira, quando seus netos o cercaram para ouvir suas histórias.

— Vô, é verdade que o senhor ia pra escola caminhando e que levava um tempão? — perguntou um dos netos, arregalando os olhos, como quem acha impossível alguém sobreviver sem carro, ônibus ou internet.
— Verdade sim, Pedrinho. Eu nasci e cresci lá em São Leopoldo, estudei em escola pública. Naquele tempo, eu deveria ter uns 9/10 anos, a gente acordava cedo, se arrumava sozinho e pegava a estrada a pé. Do bairro Rio dos Sinos até a Escola Gusmão Brito, lá no bairro Rio Branco, dava uns quarenta minutos de caminhada fácil.

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